O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição que afeta milhares de mulheres ao redor do mundo, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida, a função urinária, intestinal e sexual. Embora tradicionalmente associado à cirurgia, o tratamento conservador através da fisioterapia pélvica tem ganhado cada vez mais espaço e reconhecimento, graças à sua eficácia, segurança e baixo índice de complicações.
Compreendendo o Prolapso de Órgãos Pélvicos
O POP ocorre quando os músculos, ligamentos e tecidos que sustentam os órgãos pélvicos — como bexiga, útero e reto — enfraquecem ou se lesionam, causando o deslocamento destes órgãos para dentro ou fora da vagina. Os sintomas incluem sensação de peso pélvico, desconforto, dificuldade para urinar ou evacuar, além de dores durante o ato sexual.
Existem diferentes graus e tipos de prolapso, o que torna fundamental uma avaliação fisioterapêutica detalhada e personalizada.
O Papel da Fisioterapia no Tratamento do POP
A fisioterapia atua principalmente no fortalecimento do assoalho pélvico, na melhora da função muscular e no reequilíbrio postural e respiratório, que são aspectos-chave para o suporte dos órgãos internos.
Avaliação Funcional Completa
Antes de iniciar qualquer intervenção, o fisioterapeuta deve realizar uma avaliação minuciosa, incluindo:
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Anamnese detalhada para identificar sintomas e impacto na vida diária;
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Avaliação da força, resistência e coordenação do assoalho pélvico;
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Análise postural e da biomecânica corporal;
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Verificação do padrão respiratório, pois a pressão intra-abdominal influencia diretamente o suporte pélvico.
Estratégias Terapêuticas Seguras e Eficazes
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Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico (EFP): Baseados no protocolo de Kegel, com progressão gradual para melhorar tônus, resistência e coordenação. O treinamento deve ser adaptado conforme o grau do prolapso e a capacidade da paciente.
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Técnicas de reeducação postural: Corrigir a postura e melhorar a estabilidade lombopélvica para reduzir a sobrecarga nos músculos pélvicos.
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Exercícios hipopressivos: Auxiliam na redução da pressão intra-abdominal e na melhora do suporte muscular, sendo uma importante ferramenta complementar.
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Terapia manual: Liberação miofascial e mobilização para reduzir tensões e melhorar a circulação local.
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Biofeedback e eletroestimulação: Facilitam o reconhecimento e o controle da musculatura do assoalho pélvico, especialmente em pacientes com dificuldades para contração voluntária.
Indicações e Contraindicações
A fisioterapia é indicada para pacientes com prolapso leve a moderado, sendo uma alternativa conservadora que pode retardar ou evitar a necessidade de cirurgia. Também é fundamental no pós-operatório para fortalecer a musculatura e prevenir recidivas.
Já em casos de prolapso severo ou quando há indicação cirúrgica urgente, a fisioterapia atua como coadjuvante, preparando a paciente para a intervenção e auxiliando na recuperação.
Importância da Educação e Orientação
Além das técnicas físicas, o fisioterapeuta deve educar a paciente sobre:
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Hábitos que evitam o aumento da pressão intra-abdominal, como evitar esforço excessivo e constipação;
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Importância do peso corporal adequado;
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Técnicas de posicionamento para facilitar a função pélvica.
Conclusão
A fisioterapia no prolapso de órgãos pélvicos é uma abordagem segura, eficaz e fundamental para o tratamento conservador e pós-cirúrgico. Com avaliação detalhada, técnicas individualizadas e educação, o fisioterapeuta contribui para a melhora dos sintomas e para a qualidade de vida da paciente.
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Revisado por Faça Fisioterapia
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