O câncer no colo uterino em idosos


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O câncer do colo do útero é o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres em todo o mundo. Na maioria dos países em desenvolvimento, ocorrem 80% de todos os casos de câncer do colo do útero, este é o tipo mais comum de câncer, mesmo quando ambos os sexos são analisados conjuntamente Ele é decorrente de alterações celulares que tem uma progressão gradativa e é por isto que esta é uma doença curável quando descoberta no início. (ARMSTRONG, MUÑOZ & BOSH, 1992).

O câncer de colo uterino, considerando sua condição anatômica, diferentemente da maior parte dos tumores malignos do ser humano, apresenta aspectos epidemiológicos, etiológicos e evolutivos bem definidos para sua detecção em estágios pré-malignos ou iniciais. Porém, apesar da metodologia para o seu rastreamento ser de fácil acesso, baixo custo e fácil execução, ainda representa a segunda maior estimativa de incidência de neoplasia maligna na população feminina brasileira, com mais de 20 mil casos novos em 1996. (DA MOTTA et al., 2001). O grupo de risco clássico são mulheres obesas, hipertensas, diabéticas com baixa paridade, na pós-menopausa e da raça branca. O pico de incidência é na sexta década, mas pode ocorrer cerca de 2-5% dos casos antes dos 40 anos. Atualmente considera que a principal causa seja a ação de estrogênio não antagonizada por progestágeno, como observado nos casos de obesidade, ciclos anovulatórios, TRH sem progestágeno, baixa paridade e uso de Tamoxifen.(FREITAS et al., 2002). As mulheres são usuárias mais freqüentes do sistema de saúde do que seus companheiros. Entre as mulheres com idade acima de 65 anos, 88% compareceram a uma consulta médica durante os últimos 12 meses; 75% das mulheres desse grupo etário procuram o médico em média cinco vezes no ano; e 85% consultam-se com clínicos gerais e médicos de família em vez de ginecologistas para os cuidados ginecológicos rotineiros (MOSSEY & SHAPIRO, 1985). A maioria das mulheres reconhecem tanto a necessidade da colpocitologia como sua periodicidade, principalmente entre as mais jovens. As mulheres acima de 60 anos eram as que mais referiam (54,1%) não conhecer a necessidade da colpocitologia oncótica, nem sua periodicidade (58,8%); o grupo que melhor referia conhecimento da necessidade e periodicidade da colpocitologia oncótica foi o de mulheres entre 40 e 60 anos. O achado microbiológico mais freqüente foi Gardnerella sp. (8,6%). Presença de papilomavírus humano (HPV) foi significativamente menor nas mulheres acima de 60 anos (DA MOTTA et al., 2001). O surgimento da colpocitologia oncótica vem reduzindo a incidência e a mortalidade do câncer de colo uterino, sendo um instrumento fácil e barato de rastreamento (DA MOTTA et al, 2001; FRANCOUS et al., 2001). O exame ginecológico e os esfregaços para Pap são as principais razões para a diminuição do número de consultas ao médico na idade avançada, embora morbidade e mortalidade significativas continuem sendo devidas à doença ginecológica. O diagnóstico do câncer ginecológico nas idosas ocorre em um estágio mais avançado (DUTHIE & KATZ, 2002). As doenças malignas ginecológicas mais comuns nas mulheres idosas são similares àquelas na população em geral. O câncer do corpo uterino é o mais comum, (BORING, SQUIRES & TONG, 1992) seguido em segundo e terceiro lugares respectivamente pelo câncer de ovário e de colo uterino. Os dados de Investigação, Epidemiologia e Resultados Finais mostram que 81% dos cânceres ginecológicos em mulheres mais idosas originam-se no corpo uterino ou no ovário, fazendo dessas duas malignidades, sem dúvida, as malignidades ginecológicas mais comuns nesse grupo etário (KENNEDY, FLAGG & WEBSTER, 1989; BARANOVSKY & MYERS, 1986). O diagnóstico é confirmado através de biópsia, que deve ser realizada através de histerectomia ou curetagem fracionada. .(FREITAS et al., 2002). O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Nesse contexto, a atuação multidisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global. (http://www.inca.gov.br/rbc/n_54/v04/pdf/333_344_Analise_dos_Metodos_de_Avaliacao.pdf,2008)

A cirurgia é a modalidade principal de tratamento, sendo procedimento curativo ou redutor de tamanho diante de quimioterapia sistêmica. A droga cisplatina tem sido a base do tratamento, mas, infelizmente, esta droga possui toxicidade renal. O tratamento da moléstia em estágio avançado raramente é curativo. Uma vez que a doença tenha sido detectada, é improvável que o tratamento destes pacientes seja diferente daquele utilizado para mulheres mais jovens. Entretanto, em função do estágio avançado da doença por ocasião de sua manifestação, o uso de quimioterapia e radioterapia poderá ficar limitado em virtude da idade do paciente. (DUTHIE & KATZ, 2002). A fisioterapia oncológica é uma especialidade que traz benefícios para o tratamento de pacientes internados e especialmente para aqueles que fazem tratamento em domicílio. Seus recursos contribuem para complementar o alívio da dor, diminuir a tensão muscular, melhorar a circulação tecidual, prevenir ou reduzir linfedemas e minimizar a ansiedade do paciente, já que o estresse e a depressão podem ser agentes agravantes do câncer. (http://www.inca.gov.br/rbc/n_54/v04/pdf/333_344_Analise_dos_Metodos_de_Avaliacao.pdf, 2008).

O prognóstico depende do estádio clinico-cirurgico, em que se consideram o grau e o tipo histológico, a profundidade de invasão miometrial, a presença de invasão vascular, ganglionar e metástase a distância. .(FREITAS, et al., 2002). O risco de uma mulher com idade acima de 65 anos de desenvolver câncer ovariano, endometrial ou cervical, comparado com mulheres de 40 a 65 anos, é aproximadamente três vezes maior para o câncer de ovário, duas vezes maior para o câncer uterino e 10% maior para o câncer cervical. (DUTHIE, 2002). As pacientes mais idosas apresentam problemas de saúde que resultam em morbidade e inabilidades que causam inpacto negativo na qualidade de vida. Muitos desses problemas têm uma etiologia basicamente ginecológica e, com a atenção ao exame ginecológico adequado, podem ser prevenidos ou diagnosticados e tratados. Cerca de 30% das mulheres pós-menopausa têm problemas ginecológicos não diagnosticados.(DENNY, KOREN & WISBY, 1989). A queda da mortalidade por câncer do útero não especificado sinaliza uma melhora na precisão do diagnóstico clínico e na qualidade do preenchimento do atestado de óbito, e indica aumento de cobertura do teste de Papanicolaou (FONSECA, et al., 2004).
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