A incontinência urinária de esforço (IUE) é denida pela International Continence Society (ICS) como a queixa de perda involuntária de urina...

Impacto do treinamento dos músculos do assoalho pélvico na qualidde de vida em mulheres com incontinência urinária



A incontinência urinária de esforço (IUE) é denida pela International Continence Society (ICS) como a queixa de perda involuntária de urina no esforço, no exercício, no espirro ou na tosse1. Como fatores de risco, relacionamse o número de gestações, a paridade, o elevado índice de massa corporal (IMC), a constipação crônica, a condição posmenopausal e a tosse crônica2-7. A prevalência dos sintomas é de 80% em mulheres entre 25 e 60 anos de idade8. Embora a incontinência urinária (IU) não coloque diretamente a vida das pessoas acometidas em risco, existe um consenso quanto ao fato de que ela pode afetar negativamente a qualidade de vida (QV) em muitos aspectos, tanto psicológica e social, quanto física, pessoal e sexualmente9.

Em aspecto geral, as mulheres com IU referem-se a limitações em níveis físicos (praticar esporte, carregar objetos), alterações nas atividades sociais, ocupacionais e domésticas, influenciando de forma negativa o estado emocional e a vida sexual. Além disso, pode provocar desconforto social e higiênico, pelo medo da perda urinária, pelo cheiro de urina, pela necessidade de utilizar protetores (absorventes) e de trocas mais frequentes de roupas10,11. Familiares e cuidadores também apresentam impacto negativo sobre sua própria QV, principalmente nos aspectos psicológicos12.

A avaliação da QV tem sido demonstrada como preditor para a busca de tratamentos da IU13. Dentre eles, o mais conservador objetiva aumentar o suporte do trato urinário inferior, devido ao aumento da força dos músculos do assoalho pélvico, bem como promover o fechamento uretral por contração involuntária dos músculos periuretrais. A ICS considera os exercícios perineais como padrão-ouro na IUE, e sua ecácia tem sido demonstrada por estudos randomizados e controlados1,14-17.

Inúmeros questionários têm sido desenvolvidos e testados para mensurar o impacto da IU na QV de vida. Dentre as dimensões avaliadas, podemos destacar o impacto na vida diária, as relações pessoais, os aspectos psicológicos e emocionais e as limitações sociais e físicas18.

Recentes publicações têm demonstrado melhora da QV de mulheres submetidas ao tratamento mais conservador, o que foi avaliado utilizando o King's Health Questionnaire (KHQ)19,20. Essa avaliação se torna primordial quando o impacto da IU na QV das pacientes, dos familiares e dos cuidadores é considerado.

Um dos objetivos da sioterapia é investigar e intervir nesse impacto. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar o efeito do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) na QV de mulheres com IUE.



MÉTODOS

Trata-se de um ensaio clínico prospectivo, tipo antes e depois, realizado no período de abril/2009 a maio/2010. Foi desenvolvido no Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Obteve-se aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP - CEP nº 1966/09. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, redigido conforme a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

O critério de inclusão foi a história clínica de IUE sem deciência esncteriana durante o estudo urodinâmico. Os de exclusão foram doenças neuromusculares, prolapso grau III e IV de acordo com a classicação da ICS1 e uso de terapia hormonal. Na abordagem inicial, foram coletadas informações sociodemográcas (idade) e clínicas (índice de massa corpórea e tempo de perda urinária), além de antecedentes obstétricos (paridade, parto vaginal).

Prévia e posteriormente ao término do tratamento, aplicou-se o questionário de qualidade de vida KHQ, validado no Brasil21. Trata-se de um questionário composto por 30 perguntas que são arranjadas em nove domínios. Relatam, respectivamente: a percepção da saúde, o impacto da incontinência, as limitações nos desempenhos das tarefas, a limitação física, a limitação social, o relacionamento pessoal, as emoções, o sono/energia e as medidas de gravidade. Para todas as respostas são atribuídos valores numéricos, somados e avaliados por domínios. O KHQ é pontuado em cada um de seus domínios, não havendo, portanto, escore geral. Os escores variam de zero a 100, e quanto maior a pontuação obtida, pior é a qualidade de vida relacionada àquele domínio. O questionário foi originalmente padronizado para ser autoadministrado, porém a aplicação foi feita em forma de entrevista e as perguntas, verbalizadas ipsis litteris pelo avaliador.

Mensurou-se a função dos músculos do assoalho pélvico por meio de palpação bidigital. Considerou-se na avaliação da função muscular o registro das seguintes variáveis: potência (P), graduada pela escala de Oxford; e endurance muscular (E), dado pela manutenção da contração muscular em segundos. Essa avaliação foi adaptada do método PERFECT, descrito por Laycock et al.22, amplamente utilizado na literatura.

Previamente à avaliação, as pacientes receberam orientações a respeito da localização e função dos MAP e sobre como contraí-los adequadamente: o mais forte possível e eliminando ao máximo a contração dos glúteos, abdominais e adutores. Os procedimentos de avaliação foram detalhadamente explicados.

Para a avaliação sioterapêutica, as pacientes foram orientadas a esvaziar a bexiga e em seguida colocadas em posição de litotomia. Foi respeitado um tempo de repouso três vezes maior que o tempo de contração e em seguida foi solicitada a contração mantida pelo máximo de tempo que a paciente conseguisse.

A perda urinária foi mensurada por diário miccional simplicado em que a paciente anotou, pelo período de sete dias, a frequência urinária diurna e noturna e o número de perdas urinárias.

O protocolo de treinamento dos músculos do assoalho pélvico utilizado foi descrito por Bo et al.23. Entretanto, neste estudo, as pacientes realizaram os exercícios individualmente. Todas elas realizaram sessões de treinamento com um sioterapeuta especialista em uroginecologia. O protocolo consistiu em exercícios para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, e as mulheres foram encorajadas a realizar três séries de dez contrações lentas (bras tônicas) com manutenção de seis a oito segundos de cada contração, seguidos de um período de repouso igual ao de manutenção da contração. Após essa série, realizavam três ou quatro contrações rápidas (bras fásicas), nas posições de decúbito dorsal, sentada e ortostática, por no mínimo três vezes na semana. O tratamento foi realizado por um período de três meses.

Os dados foram descritos em médias e desvios-padrões. Os escores dos domínios da avaliação da QV foram comparados pelo teste de Wilcoxon para amostras pareadas, com nível de significância de 0,05.



RESULTADOS

Inicialmente, 40 mulheres foram incluídas no estudo. Dessas, duas pacientes não tinham disponibilidade de ir ao ambulatório por motivos de trabalho e duas precisavam cuidar de familiares enfermos. Um total de 36 mulheres concluiu o treinamento dos músculos do assoalho pélvico no período de abril de 2009 a maio de 2010. A idade média das pacientes foi de 55,2 (± 9,1) anos, a duração dos sintomas foi de 7,0 (± 6,6) anos e o índice de massa corporal foi de 28,9 (± 5,2) (kg/m2).

Em relação aos antecedentes obstétricos, três mulheres eram nulíparas, 24 tiveram entre uma e três gestações e nove apresentaram quatro ou mais gestações, com média de 3,1 (± 2,1) gestações. Quanto à via de parto, 22 mulheres tiveram de um a três partos vaginais e sete mulheres tiveram quatro ou mais partos vaginais, com média de 2,5 (± 2,2) partos.

Observou-se diminuição signicativa das médias dos escores em todos os domínios avaliados pelos KHQ (Tabela 1). Em concordância com os resultados da avaliação da qualidade de vida, houve diminuição da perda urinária e frequência urinária noturna das pacientes, ambos sintomas avaliados pelo diário miccional (Tabela 2). Também observou-se signicativo aumento da força e endurance muscular (Tabela 3).



DISCUSSÃO

Por meio de mais de 50 ensaios clínicos randomizados, estão amplamente descritos na literatura os efeitos provenientes do TMAP, considerado padrão-ouro para o tratamento da incontinência urinária de esforço, com nível A de evidência24. Adicionalmente, como consequência desse tratamento, encontram-se a melhora da percepção da paciente quanto à doença e a diminuição do impacto em sua qualidade de vida.

Quando mensuradas com precisão e conabilidade, a gravidade e a repercussão da doença são importantes parâmetros de avaliação para o tratamento das mulheres acometidas. Embora subjetivos, esses dados são consideravelmente relevantes, pois refletem indiretamente a qualidade do tratamento oferecido.

Neste estudo, realizou-se a mensuração da função muscular do assoalho pélvico por meio da palpação bidigital, técnica validada e amplamente utilizada na literatura22,25,26. Previamente ao tratamento, foi observada a média de graduação da escala de Oxford de 2,0 (± 0,9), considerada função muscular débil.

Moen et al.27 sugerem que para que a função muscular do assoalho pélvico seja adequada, o valor avaliado pela escala de Oxford deve ser maior ou igual a três. Neste estudo, após os três meses de tratamento encontrou-se a média de 3,5 (± 1,0), considerada eciente. O endurance muscular progrediu positivamente de 3,0 (± 1,7) segundos para 6,6 (± 2,4) segundos. A melhora pode ser atribuída à qualidade do protocolo instituído, cuja orientação do tempo de manutenção foi de seis a oito segundos27.

A melhora da função dos músculos do assoalho pélvico e da qualidade de vida somou-se à melhora da incontinência urinária. Neste estudo, foi observada uma diminuição do número de perdas urinárias de 1,3 (± 1,3) para 0,5 (± 0,7). Em recente publicação, o diário miccional foi considerado uma ferramenta importante na mensuração objetiva da perda urinária, com boa correlação com o relato da paciente a respeito de seus sintomas28.

Similarmente a este estudo, Rett et al.29 recrutaram 26 mulheres com IUE, com idade média de 42 anos (± 5,5), e utilizaram o TMAP associado ao biofeedback. Após o tratamento, observou-se melhora em oito dos nove domínios avaliados por meio do KHQ. Apenas o domínio referente ao relacionamento pessoal não apresentou diferença após o tratamento. Entretanto, os autores sugerem que esse domínio pode estar relacionado aos aspectos de vida familiar e sexual, e dentre as mulheres estudadas, muitas delas podem não ter relatado à família a respeito do problema da perda urinária ou não apresentavam vida sexual ativa29.

Em outro recente estudo, realizado por Fozzatti et al.25, 26 mulheres com idade média de 50 anos foram selecionadas e tratadas com a técnica de reeducação postural global (RPG). Após o tratamento, os autores observaram melhora nos domínios de percepção geral da saúde, impacto da incontinência e no sintoma de perda urinária aos esforços (p < 0,05). Após três e seis meses do término do tratamento, estes resultados se mantiveram. Para os autores, os benefícios da melhora da qualidade de vida em curto e médio prazo podem estar relacionados às modicações do esquema corporal e à melhora do autoconhecimento corporal, o que diminui a sobrecarga de estruturas, podendo proteger o assoalho pélvico25.

Com base na literatura, sabe-se que o TMAP, quando executado regularmente, pode proporcionar melhora da função muscular do assoalho pélvico24. Devido a esse fato, acredita-se que a melhora da funcionalidade possa estar diretamente associada à diminuição do número de perdas urinárias e, consequentemente, com a melhora da QV dessas mulheres.

Vale ressaltar a importância da utilização de um questionário adequadamente traduzido e adaptado para a língua portuguesa do Brasil, com alta conabilidade e validade, o qual pode ser incluído em qualquer estudo brasileiro de incontinência urinária e na prática clínica21.

Uma das limitações deste estudo foi a ausência do detalhamento da frequência dos exercícios por meio da utilização de um diário de registro. Adicionalmente, faltou uma comparação entre os dados do presente estudo a um grupo controle. Por m, sugestões para novos estudos, incluindo a reavaliação das pacientes após um período a m de vericar a manutenção dos resultados obtidos, devem ser consideradas para os pesquisadores dessa área.



CONCLUSÃO

Baseado nos resultados obtidos no presente estudo, o treinamento muscular do assoalho pélvico proporcionou impacto positivo na QV de mulheres com IUE.



REFERÊNCIAS

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Existem técnicas Fisioterapêuticas que podem ser utilizadas de forma preventiva, para que haja reeducação pélvica perineal, são elas: contr...

Tratamento de fisioterapia para incontinência urinária



Existem técnicas Fisioterapêuticas que podem ser utilizadas de forma preventiva, para que haja reeducação pélvica perineal, são elas: contração do intróito vaginal contra a resistência, exercícios descontraturantes; exercícios de Kegel, entre outros. O fortalecimento desses músculos é de extrema importância não só na gestão da incontinência urinária, mas sim durante toda a vida; pois os mesmos agem como uma rede para apoiar o útero, a bexiga, intestinos e outros órgãos do arcabouço pélvico (VIANA, 2001).

O Tratamento fisioterapêutico, na maioria das vezes, concentra-se na IU mista, por transbordamento e IU de esforço, sendo as demais tratadas com uso de fármacos e cirurgias, dependendo da situação. Os exercícios perineais ou a eletroestimulação devem ser indicados antes do tratamento farmacológico (ARRUDA et al., 2007).

As condutas mais utilizadas pela Fisioterapia são: cinesioterapia, através de exercícios de propriocepção e perineais; eletroestimulação, envolvida no relaxamento e na contração uretral e da musculatura indiretamente envolvida no ato da micção (abdome, nádegas e coxas) onde se observa que impulsos eferentes dos nervos pudendos promovem contração reflexa da musculatura estriada que envolve a uretra e, concomitantemente, acompanha-se de reflexo inibitório da contração do músculo detrusor; tem-se ainda o uso do Biofeedback, no qual é um método empregado para o reconhecimento da musculatura esquelética.

Independente do tipo de terapêutica, sendo ela fisioterapêutica, farmacológica, ou cirúrgica, o tratamento deve ser realizado pela equipe de saúde, com a participação do paciente e das pessoas que lhe prestam cuidados, além de que a fisioterapia pode atuar tanto no pré como no pós-operatório, contribuindo para os resultados cirúrgicos obtidos e, assim, mantendo o paciente continente e melhorando a sua qualidade de vida. (GROSSE e SENGLER, 2002; GUEDES & SEBBEN, 2006).

Incontinência de esforço - é a perda involuntária da urina quando a pressão intravesical excede a pressão uretral máxima, devido a elevação...

Classificação da incontinência urinária



Incontinência de esforço - é a perda involuntária da urina quando a pressão intravesical excede a pressão uretral máxima, devido a elevação da pressão intrabdominal e ausência da contração do detrusor. Este tipo descreve a perda da urina durante exercícios, ou em situações de espirro ou riso. É mais freqüente em mulheres, mas pode ocorrer em homens após cirurgia de próstata; A causa mais freqüente de incontinência urinária de esforço é a hipermotilidade uretral decorrente da fraqueza do assoalho pélvico ou conseqüente a procedimentos cirúrgicos. A deficiência esfincteriana intrínseca também é freqüentemente observada e está geralmente associada à desnervação do assoalho pélvico, à radioterapia prévia, à diminuição dos níveis estrogênicos. (RODRIGUES & RINO, 1994).

Incontinência de urgência - é a perda involuntária da urina associada ao forte desejo de urinar, freqüentemente associada com a condição da pessoa, como no caso de Acidente Vascular Cerebral, Demência Senil, Doença de Parkinson, Escleroses Cerebrais Múltiplas, podendo ocorrer também em pessoas idosas saudáveis. Está associada com a instabilidade do músculo detrusor, onde há um aumento das contrações da musculatura detrusora, que contrai precipitadamente, inibição e hiperreflexia da bexiga; (RODRIGUES & RINO, 1994).

Incontinência por transbordamento - é a perda involuntária da urina quando a pressão intravesical excede a pressão máxima da uretra devido a elevação da primeira associada a distensão da bexiga na ausência de atividade de detrusor, há uma hipoatividade do detrusor, onde o detrusor se contrairá quando o paciente tenta urinar, sendo raro entre idosos. As possíveis causas incluem: obstrução anatômica devido ao aumento da próstata; bexiga neurogênica não inibida, resultante da perda da função iniciadora sobre a micção, quando o idoso percebe que a bexiga está distendida, mas não consegue inibir o reflexo miccional, apresentando perdas freqüentes de pequeno volume de urina; bexiga neurogênica atônica em que o indivíduo não percebe a distensão vesical com o acúmulo de urina e portanto, o reflexo miccional não chega a ser desencadeado, como ocorre nos pacientes diabéticos; (RODRIGUES & RINO, 1994).

Incontinência funcional - é diagnosticada quando há perda involuntária da urina associada a incapacidade ou falta de vontade de usar o toalete apropriadamente. Está associada as perdas cognitivas e físicas dos idosos e a fatores psicológicos e ambientais que influenciam o uso da toilete. A causa básica pode ser neurogênica ou não. (RODRIGUES & RINO, 1994).

Incontinência urinária mista - definida como a combinação da incontinência urinária de esforço e de urgência. A hiperpressão abdominal e a contração não inibida do detrusor, que são as duas forças de expulsão podem superar as forças de retenção. A elevada freqüência da incontinência urinária mista é decorrente da fraqueza esfincteriana. A urgência miccional é clinicamente predominante, sendo a mais desconfortável socialmente (VIANA, 2001).

A prevenção da IU visa à realização de exercícios que aumentam a força do esfíncter externo da bexiga, fortalecer a musculatura pélvica, principalmente o músculo elevador do ânus; evitar contraturas; manter a tonicidade muscular; melhorar a capacidade de recrutamento da musculatura, melhorar a transmissão de pressões na uretra e a coordenação reflexa durante o esforço. (XHARDEZ, 2001).

A lombalgia comum é uma dor que não apresenta irradiação importante, a intensidade da dor é variável, desde a sensação de desconforto até a...

A Prevalência de Lombalgia Gestacional



A lombalgia comum é uma dor que não apresenta irradiação importante, a intensidade da dor é variável, desde a sensação de desconforto até a dor lancinante. As lombalgias são ocasionadas por processos inflamatórios, degenerativos, por alterações da mecânica da coluna vertebral (posturas defeituosas, escolioses) malformações e sobrecarga da musculatura lombar ¹.

Durante a gravidez, ocorrem diversas adaptações físicas, necessárias ao perfeito crescimento e desenvolvimento fetal. Todavia, essas alterações em algumas mulheres trazem conseqüências que podem resultar principalmente em dor lombar e limitações em suas atividades diárias.

Grande parte dessas mudanças se evidencia na coluna lombar e cintura pélvica, locais comuns de queixas algicas. A prevalência de tais queixas relatada em diferentes estudos varia de 24 a 90%¹ ².

A etiologia e a patogênese das dores lombo-pelvicas são incertas. Uma das hipóteses é que o útero gravídico em crescimento e a hiperlordose lombar compensatória contribuem para um estresse mecânico na coluna lombar. Adicionalmente a tendência de rotação pélvica aumenta com a acentuação da lordose. A biomecânica alterada associada ao relaxamento das articulações sacro ilíacas, sob a influencia da relaxina pode aumentar ainda mais o estresse mecânico sobre as articulações pélvicas e a coluna lombar, no entanto, como nem todas as gestantes que apresentam queixas tem hiperlordose, parece haver outros fatores relacionados ²

Objetivos
Sabe-se que há um número crescente de gestantes que procuram atendimentos fisioterapêuticos em decorrência de lombalgias gestacional e dores, dessa forma realizou-se uma revisão de literatura para sistematizar estudos que abordem a prevalência de lombalgia gestacional.

Métodos
Para realização deste estudo foi realizada uma revisão de literatura na qual a coleta de dados foi obtida de livros, artigos encontrados em sites e revistas eletrônicas.
Foram incluídos cinco artigos publicados no período de 2005 a 2007. Utilizaram-se três bases eletrônicas para coleta de dados: Lilacs/Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, Scielo, Fisioweb. Para busca dos artigos utilizados foram utilizados os descritores seguintes: Prevalência, lombalgia gestacional. Adotou-se como critério de inclusão artigos relacionados a lombalgias no pré parto e pós parto. Como critério de exclusão estudo de caso.

Tabela 1 – Características metodológicas dos artigos que abordaram a prevalência de lombalgia gestacional


Autores/ Ano de publicação
Delineamento do estudo
População do estudo
Variáveis analisadas
Comentários
Prevalência
Priscila Fernandes Sant'ana, et al.(2006)
Transversal descritivo
40 gestantes
Multíparas (gestantes entre 23 e 27 anos) prevalência de 27,5%.
Estudo limitado com amostra pouco significativa
Pelinson, M.; Brongholi, K.
Transversal descritivo
50 gestantes
Puérperas de parto normal 83,3%, parto cesáreo 84,3%
Estudo claro e objetivo
Silvia Reis Vaz de Moura et al.(2007)
Transversal descritivo / Intervenção base populacional
14 gestantes
Gestantes (20 a 31 anos). Grupo tratamento variou de 2,29 (1° mês) e 0,71 (3° mês); Grupo Controle se manteve em 2,43.
Estudo com numero limitado de gestantes
Roseny Flavia Martins, João Luiz Pinto e Silva. (2005)
Descritivo, observacional
203 gestantes
Entre as dores relatadas na coluna vertebral e/ou pelve, 80,8% eram referidas por dor na região lombar
Estudo comparativo, claro e objetivo
Roseny Flavia Martins, João Luiz Pinto e Silva. (2005)
Ensaio clínico prospectivo randomizado
69 gestantes
A confirmação de dor na região lombar foi positiva em 65% das gestantes.
Estudo comparativo, claro e objetivo






Resultados e Discussão

Sant’ana et al. (2006), com uma amostra de 40 gestantes, através de uma amostra por
conveniência sem limite de idade, coletou dados relacionados à idade, ao peso na primeira consulta, ao peso atual, à idade gestacional em semanas, à atividade laboral, ao número de gestações e a queixa de dor lombar prévia, e identificou que 19 (47,50%) gestantes sentiram, no momento da aplicação do questionário, dor fraca; 13 (32,5%), moderada; 6 (15%), forte; nenhuma relatou dor violenta; apenas 2 (5%), insuportável.

Com os resultados obtidos nesse estudo, pode-se identificar que a lombalgia gestacional não tem relação com a idade das gestantes, já que para a seleção das 40 gestantes que participaram do estudo não houve limite de idade.

Pelinson et al. com uma amostra de 50 gestantes, sendo 32 de parto cesárea e 18 de parto normal, verificou que as gestantes submetidas a parto normal 83,3% apresentaram lombalgia durante a gestação, em comparação as gestantes submetidas a parto cesárea com 84,3%.

De acordo com os resultados pode-se observar que o mecanismo do parto normal pode gerar uma dor lombar pela passagem do bebê pelo canal do parto, exacerbando os movimentos de nutação e contra nutação da articulação sacroilíaca. Uma das causas que pode gerar dor no puerpério de cesárea é o fato de intercorrências durante a cirurgia, mas neste trabalho as gestantes não sofreram nenhum tipo de inrercorrência, podendo ser uma possível explicação para a baixa incidência.

Moura et al.(2007), com uma seleção de 14 grávidas com idade média de 22 anos, no quinto mês gestacional, onde a amostra de conveniência foi dividida em grupo controle e grupo tratado com exercício fisioterapêutico para o tratamento da lombalgia gravídica na freqüência de três vezes por semana totalizando 42 sessões e constatou que, de acordo com a pontuação na escala de Mc Gill, a média de dor atual para o grupo tratamento manteve-se inferior e decrescente em relação ao grupo controle. No primeiro mês, o grupo tratamento obteve 2,29 e controle 2,43, no segundo mês o grupo tratamento obteve 1,57 e controle 1,86, no ultimo mês essa diferença foi ainda maior, o grupo tratamento obteve 0,71 e o controle 2,43.
A dor tende a piorar com a evolução da gestação, pois a causa do deslocamento do centro de gravidade se dá pelo aumento do volume abdominal e o crescimento uterino durante os meses de gestação. Em manifestações individuais relatadas por gestantes do grupo tratado, foi relatado que os exercícios foram relaxantes, além de melhorar sua percepção corporal e proporcionar mais confiança nas atividades diárias.
Martins et al. (2005) com uma amostra de 266 grávidas, verificou que 203 pacientes (79,3%) apresentaram dor, após entrevista a grávida identificava a região da dor em seu próprio corpo e identificou que 162 (79,8%) relatavam dor em alguma região da coluna vertebral e/ou pelve. A região lombar foi referida por 130 (80,8%), seguida as sacro ilíaca 79 (49,16%), torácica 58 (36,7%) e cervical 9 (5,6%).

Os números acentuados de dor na região lombar poderiam ser explicados pela tentativa de compensação das curvaturas da coluna vertebral para a manutenção do equilíbrio corporal, já que o centro de gravidade vai s e modificando com o avançar da gestação. A região lombar acentua sua curvatura com o crescimento uterino frontal, que por sua vez, modifica a posição do sacro – que se torna mais horizontalizado – em relação a pelve.

Martins et al. (2005), com uma seleção de 69 grávidas, onde comparou as grávidas que participaram do método de exercício Stretching Global Ativo (SGA), com as grávidas que seguiram as orientações medicas (ORI), e comprovou que para alguns testes de comprovação da dor lombar com palpação da musculatura espinhal. A análise deste estudo permitiu observar que as gestantes que foram acompanhadas durante a gravidez, na assistência pré-natal, e que referiram algias posturais (lombar e pélvica posterior) tiveram benefícios ao realizar os exercícios físicos pelo método SGA, devidamente orientados por profissionais fisioterapeutas.

Conclusão
Um levantamento literário pode-se observar que a lombalgia gestacional apresenta uma alta prevalência independente da idade, peso, número de gestações e tipo de parto das gestantes, pode-se comprovar que as gestantes com lombalgias submetidas a tratamento fisioterapêutico, apresentam um decréscimo significativo nos níveis de dor, justificando assim um dos benefícios da prática de atividades físicas para uma gestação saudável. Portanto a prevenção da lombalgia deve ser iniciada antes da gestação devido a restrições de tratamento para esse tipo de algia gestacional.

Referências

1- Porto, Celmo Celeno: Badim, Abdo, (colab) Semiologia Médica. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, C2001. 1313p.
2- Baracho, Elza. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia, Uroginecologia e Aspectos de Mastologia. 4. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.579p.
3- Priscila Fernandes Sant’ana, Sabrina Souza Mendes, Aline Teixeira Alves, Denise Ribeiro Rebelo da Silva. Caracterização da Dor Lombar em Gestantes Atendidas no Hospital Universitário de Brasília. v.4, n.1/2, p.37-48, 2006.
4- Pelinson, M, Brongholi, K, A Incidência de Dor Lombar em Puérperas de Parto Normal e Cesárea.
5- Silvia Reis Vaz de Moura, Rachel de Silveira Campos, Sílvia Helena Vanzelli Mariani, Arnaldo Augusto Franco de Siqueira, Luiz Carlos de Abreu, Dor Lombar Gestacional: Impacto de um Protocolo de Fisioterapia. Arq Med ABC 32 (Sulp. 2): 559-63.(2007).
6- Roseny Flávia Martins, João Luiz Pinto e Silva, Tratamento da Lombalgia e Dor Pélvica Posterior na Gestação por um Método de Exercício. Ver. Bras.Ginecol. Obstet. v.27 n.5 rio de Janeiro, maio 2005.
7- Roseny Flávia Martins, João Luiz Pinto e Silva, Prevalência de Dores na Costas na Gestação, Ver.Assoc. Med Bras 2005, 51(3): 144-7.

Trabalho realizado por:
Juliana Andrade, Jeniffer Kennedy, Wilson Júnior, Danilo Moncorvo, Rodrigo Correia, Aline Deyna, Moab Eduardo, Reginaldo Júnior, Jeter Gerson, Felipe Martins, Claudio Barbosa.

Contato: gel_1990@hotmail.com

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