Atuação fisioterapêutica para diminuição do tempo do trabalho de parto


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Desde o final dos anos 1980 há um movimento social pela humanização do parto e do nascimento no Brasil, década marcante do ponto de vista da organização de algumas associações não-governamentais e redes de movimentos centralmente identificadas com a crítica do modelo hegemônico de atenção ao parto e ao nascimento. A humanização do parto busca desestimular o parto medicalizado, visto como tecnologizado, artificial e violento, e incentivar as práticas e intervenções biomecânicas no trabalho de parto, consideradas mais adequadas à fisiologia do parto e, portanto, menos agressivas e mais naturais.

O desafio dos profissionais da área da saúde é reduzir a lacuna de expectativas das parturientes e a real resolução do parto. É necessário garantir às mães um local adequado para que sejam acolhidas, ouvidas, orientadas, respeitadas e se sintam livres para manifestarem seus sentimentos, além de oferecer uma assistência de boa qualidade e acesso à tecnologia, caso necessário, cumprindo, assim, os preceitos que regem os direitos universais do ser humano, segundo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, discute-se a humanização no parto e os mecanismos para a redução de sua dor, com a adoção de métodos não-farmacológicos, a fim de reduzir a ansiedade.
Durante o trabalho de parto, a parturiente requer mobilidade pélvica e o uso intensivo da musculatura do abdômen, do períneo e do diafragma respiratório. O fisioterapeuta, exatamente por estudar todos os movimentos das articulações do corpo humano e o funcionamento muscular, auxiliando na contração e no relaxamento, é um dos profissionais capacitados a contribuir qualitativamente no atendimento à parturiente, pois trabalha otimizando a fisiologia humana.

As técnicas ensinadas às gestantes são:

1) a respiração, que pode ser controlada voluntariamente de modo a fornecer à mãe e ao feto a oxigenação necessária, sem ocorrência de fadiga durante o trabalho de parto;

2) o uso das técnicas de relaxamento, defendido como um meio de quebrar esse ciclo vicioso da dor-temor-tensão;

3) treino da expulsão, que se faz necessário para a gestante adquirir segurança e confiança para o momento do parto.

O trabalho de parto a termo inicia-se ao final do período de gestação, normalmente entre a 38ª e 42ª semana de gestação. Os partos que ocorrem antes desse período são definidos como pré-termo, os que ocorrem após são chamados de pós-termo.

O parto natural é dividido em três estágios. O primeiro consiste na contração uterina com a dilatação progressiva do colo, importante para a saída do feto da cavidade uterina; o segundo é o período de expulsão do bebê e o terceiro estágio é a da expulsão da placenta e da bolsa de líquido amniótico vazia, por meio de contrações menos intensas. Sendo assim, o controle e a coordenação dos músculos do assoalho pélvico são exigidos, observando também a importância da cinesioterapia no trabalho pré-parto, para a mulher saber a maneira correta de relaxar e expulsar o bebê.

A dor durante a o trabalho de parto é uma resposta fisiológica, complexa, subjetiva e multidimensional aos estímulos sensoriais gerados principalmente pela contração uterina. As outras causas fisiológicas da dor são a hipóxia da musculatura uterina, o estiramento cervical, vaginal e perineal durante o período expulsivo, o estresse (níveis aumentados de glicocorticoides e catecolaminas) e o limiar baixo de tolerância à dor (baixos níveis de endorfina, fadiga e doença).

As farmacológicas têm como elemento central a analgesia do trabalho de parto, especialmente praticada por bloqueio peridural com anestesia. Como medida não-farmacológica utiliza-se a eletroestimulação nervosa transcutânea (TENS), comprovadamente segura, não-invasiva, facilmente aplicável e de baixo custo. Outra técnica de analgesia é a massagem local, que diminui a dor, o estresse emocional e aumenta o efeito do relaxamento com o toque.

A massagem na região lombar durante os momentos de contração uterina produz os efeitos fisiológicos a partir da estimulação mecânica nos tecidos, por meio de pressão e estiramento ritmicamente aplicados, que irão produzir efeitos mecânicos, fisiológicos e psicológicos11.
O TENS é um recurso não-farmacológico para o alívio da dor aguda e crônica, baseado na Teoria das Comportas12, que consiste na aplicação de eletrodos percutâneos que emitem uma corrente elétrica com forma de onda tipicamente bifásica, simétrica ou assimétrica com o objetivo de excitar as fibras nervosas, com mínimos efeitos adversos para o paciente.

O TENS apresenta, como principal efeito, a analgesia. Apesar de não estar completamente elucidado seu mecanismo fisiológico de ação, é postulado que o estímulo elétrico através da pele inibe as transmissões dos impulsos dolorosos através da medula espinhal, bem como a liberação de opiácios endógenos, como endorfinas, pelo cérebro ou medula espinhal.

Sendo assim, os benefícios atribuídos pela fisioterapia são: diminuição dos sintomas de desconfortos da gravidez, controle da ansiedade e depressão, menor tempo de evolução do trabalho de parto e menor índice de indicação de parto cesárea.

A fisioterapia tem como objetivo diminuir o uso de medicamentos e como meios dispendiosos aos serviços saúde, e estreitar o tempo de trabalho de parto.

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