Pesquisadores da Universidade de Indiana realizaram o primeiro estudo sobre o tema e revelaram que exercícios , mesmo quando praticados s...

Coregasmo: o exercício que leva a mulher ao orgasmo



Pesquisadores da Universidade de Indiana realizaram o primeiro estudo sobre o tema e revelaram que exercícios, mesmo quando praticados sem relação sexual ou fantasias, pode levar a mulher ao orgasmo.

O estudo sugere que a sensação de prazer proporcionada pelo orgasmo não é necessariamente um evento sexual. As descobertas, publicadas numa edição especial da "Sexual and Relationship Therapy", conceituada publicação na área de terapia e saúde sexual, embora esteja sendo tratada como novidade pela ciência, já vem sendo debatida pela mídia com o termo de coregasmo.

O termo deriva da associação aos exercícios que visam os músculos core, 29 pares que incluem os oblíquos (interno e externo), o transverso do abdômen, os glúteos, o quadrado lombar e os assoalho pélvico.

Os abdominais, a escalada em paredes adaptadas ou cordas, o spinning e o levantamento de peso foram os exercícios mais comumente associados ao orgasmo induzido pela atividade física.

Os resultados foram baseados em pesquisas on-line feitas com 124 mulheres na faixa etária entre 18 e 63 anos que revelaram terem chegado ao orgasmo induzido pelo exercício (EIO, na sigla em inglês) e 246 que tiveram orgasmo em decorrência de relação sexual (EISP).

A maioria das participantes estava mantendo um relacionamento ou era casada, e 69% se declararam heterossexuais. Serão necessários mais estudos para poder detectar os mecanismos que desencadeiam o orgasmo induzido pelo exercício, como também o que resulta da relação sexual. E se eles podem melhorar o desempenho sexual feminino.

Introdução Recentemente, a Sociedade Internacional de Continência (ICS) publicou novas definições dos sintomas, sinais, observaçõe...

Artigo: Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária



Introdução

Recentemente, a Sociedade Internacional de Continência (ICS) publicou novas definições dos sintomas, sinais, observações urodinâmicas e condições associadas com as disfunções do trato urinário baixo e do estudo urodinâmico. Estas definições foram adotadas para serem compatíveis com as publicações da Organização Mundial de Saúde e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), promovendo melhor comunicação e entendimento entre clínicos, pesquisadores e o público em geral1. Desta forma podemos ter: incontinência urinária (IU), como a queixa de perda involuntária de urina; incontinência urinária de esforço (IUE), como a queixa de perda involuntária de urina sincrônica ao esforço, espirro ou tosse; incontinência de urgência, como a queixa de perda involuntária de urina associada ou imediatamente precedida por urgência miccional; incontinência urinária mista, como a queixa de perda involuntária de urina associada com urgência e também com o esforço, espirro ou tosse.

A bexiga hiperativa é classificada como síndrome de sintomas sugestivos de disfunção do trato urinário baixo. É, especificamente, definida como urgência, com ou sem urgeincontinência, usualmente acompanhada de aumento da freqüência miccional e noctúria.

Nesta nova padronização, termos como síndrome da bexiga hiperativa, síndrome de urgência ou síndrome de urgência-freqüência denotam a mesma enfermidade. De acordo com a nomenclatura, estes sintomas combinados são sugestivos de hiperatividade do detrusor (definido por meio de exame urodinâmico como contrações vesicais involuntárias demonstráveis). Ainda seguindo as recomendações da padronização, estes termos só podem ser usados na ausência de infecções ou de outras enfermidades locais.

 

História Clínica

A anamnese deve conter alguns aspectos incluindo o início dos sintomas, duração, gravidade, condições associadas e descrição do impacto na qualidade de vida da mulher. Os sintomas vão refletir alteração na fisiologia normal do trato urinário2.

Embora a história forneça diversas informações, é freqüente que não se obtenha o diagnóstico, uma vez que os sintomas urinários podem ser similares quando as etiologias são diferentes. Isto faz a história clínica, embora integrante da avaliação uroginecológica, constituir-se apenas de segmento da avaliação total da paciente3.

Estudos pioneiros observaram que pacientes com sintoma isolado de perda aos esforços, na ausência de outro sintoma urinário, usualmente têm bexigas estáveis. Demonstraram também alta acurácia da história no diagnóstico de IUE e concluíram que o estudo urodinâmico não é obrigatório nestas situações4. Contudo, outros pesquisadores relataram fraca correlação entre os sintomas e os achados urodinâmicos. Estes últimos estudos preconizam o exame urodinâmico na identificação das causas de incontinência5-8. Segundo alguns autores, uma em nove mulheres pode ser operada desnecessariamente quando o diagnóstico baseia-se apenas em dados de clínicos9.

A história clínica apresenta valor preditivo baixo em relação ao diagnóstico urodinâmico final, em revisão sistemática da literatura7,10. Os autores concluíram que pacientes com queixa de perda urinária ao esforço, na avaliação urodinâmica, podem ter o componente de esforço, contrações não inibidas ou mesmo a coexistência de ambos. Assim, a queixa de perda urinária ao esforço tem sensibilidade de 0,82 e baixa especificidade (0,57), resultando em elevados índices de falso-positivo. Baseada nestes dados, a confiança somente em dados da história clínica pode levar a até 25% de erro diagnóstico. Deve-se lembrar, também, que aumentos na pressão abdominal podem desencadear contrações não inibidas do detrusor, falseando o diagnóstico.

Embora alguns autores tenham encontrado bexigas instáveis em apenas 3,6% das pacientes com o sintoma puro de perda ao esforço, sugerindo não haver necessidade de complementação com exame urodinâmico4, outros pesquisadores observaram que este sintoma puro como queixa única é muito incomum, estando presente em apenas 2% dos casos11. Em série de casos de pacientes atendidas no setor de Uroginecologia da UNIFESP/EPM, os sintomas mistos foram os mais prevalentes (52,6%) e não houve pacientes com hiperatividade do detrusor entre aquelas com sintoma único de perda aos esforços. Da mesma forma, aquelas com queixa de urgência/urgeincontinência isolada não apresentavam IUE na avaliação urodinâmica12.

Para o diagnóstico diante da suspeita de bexiga hiperativa, é importante, durante a anamnese, pesquisar o tipo de perda de urina, fatores que pioram ou desencadeiam a perda, tempo de sintomatologia, tratamentos prévios, doenças associadas e medicamentos em uso2.

Queixas neurológicas como diminuição da perda muscular, dificuldade na marcha, parestesia de membros inferiores e dificuldade para esvaziar a bexiga devem ser valorizados, uma vez que doenças como esclerose múltipla e doença de Parkinson podem manifestar-se pela primeira vez como queixas urinárias. Antecedentes de traumas e cirurgias raquimedulares também são importantes.

Os sintomas mais comuns entre os casos com bexiga hiperativa são urgência e aumento da freqüência miccional, encontrados em cerca de 80% das pacientes. Outros sintomas relatados são urgeincontinência e perda urinária durante relação sexual, particularmente no orgasmo13.

Para a predição de hiperatividade vesical, a história clínica tem níveis de sensibilidade de 0,69 e de especificidade de 0,6010. De acordo com a nova padronização da terminologia da ICS, isto implica que, na prática clínica, a bexiga hiperativa é diagnóstico obtido pela clínica e que pode ser usado como base para o manejo inicial, após avaliação dos sintomas individuais do trato urinário baixo, achados de exame físico, exame de urina e outras investigações necessárias1.

Para a incontinência mista, a baixa sensibilidade (0,51) e especificidade (0,66) da história clínica geram elevados índices de falso-positivo e falso-negativo, com valores preditivos de acerto em apenas 25% dos casos10. Há que se lembrar, também, que a quantificação clínica da perda urinária é subjetiva, já que ela se baseia nas informações prestadas pela paciente e o impacto dessa perda na qualidade de vida é muito variável, conforme dados culturais, socioeconômicos e raciais. A Tabela 1 evidencia os valores de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo dos dados de história clínica no diagnóstico da incontinência urinária.

 

 

O diário miccional é outra ferramenta importante quando se suspeita de hiperatividade vesical. Além de auxiliar no correto diagnóstico, permite a avaliação da gravidade dos sintomas, além de constituir recurso para avaliar terapêuticas utilizadas. É fundamental que se tenha o registro dos medicamentos em uso pela paciente, uma vez que determinados fármacos podem piorar ou mesmo desencadear os sintomas2.

Durante o preenchimento do diário, a paciente deve ser orientada a anotar a freqüência miccional (diurna e noturna), volume líquido ingerido, volume urinado, número de episódios de perda urinária, enurese noturna, urgência miccional ou perda durante relação sexual, bem como a quantidade de absorventes utilizados diariamente. A duração do diário miccional pode ser de 3, 5, 7 ou 14 dias, de acordo com a maioria dos autores. Existem divergências sobre o real valor deste tipo de registro, bem como da duração ideal ou mesmo do valor discriminatório e da reprodutibilidade das informações obtidas. Contudo, os diários miccionais ainda continuam sendo largamente utilizados para o diagnóstico e manejo da incontinência urinária14,15.

 

Exame Físico

O exame físico faz parte da rotina de investigação ginecológica da mulher incontinente, visando reproduzir e caracterizar a incontinência, excluir distúrbios neurológicos, avaliar o suporte pélvico e excluir outras enfermidades pélvicas2.

Durante o exame, alguns aspectos devem ser ressaltados: a análise da mucosa vaginal; sinais de dermatite amoniacal; sinais de atrofia pelo hipoestrogenismo; força de contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico; tônus do esfíncter retal; sensibilidade do períneo e reflexos sacrais, além de eventuais distopias genitais.

A IUE está comumente associada ao prolapso de órgãos pélvicos, sendo importante sua avaliação. Porém, deve-se ter em mente que a presença ou ausência de prolapso genital nada revela sobre a causa da incontinência. Relevante procidência da parede vaginal anterior, por exemplo, pode existir independente ou concomitantemente com a IUE, hiperatividade do detrusor ou ambos.

Alguns autores têm proposto que a história associada à demonstração clínica da perda urinária ao esforço é suficiente para o diagnóstico de IUE16. Esta visão vem sendo modificada pela grande maioria dos pesquisadores em estudos investigando a relação entre este sinal clínico e o diagnóstico urodinâmico final12,17,18. A acurácia do sinal clínico de perda ao esforço foi comparada ao estudo urodinâmico em 863 pacientes. Os autores concluíram que o mesmo está presente em apenas 54,2% das 574 mulheres com diagnóstico final de IUE. Além disso, 38% tinham outro diagnóstico adicional, como hiperatividade vesical. Observaram que o sinal clínico tem valor preditivo positivo de 91% e valor preditivo negativo de 50%17.

Mesmo com elevado valor preditivo positivo, em nenhum dos trabalhos há elementos que indiquem a possibilidade de diferenciação da IUE por defeito esfincteriano, o que seria importante na escolha do tratamento cirúrgico.

Em contraposição, outros pesquisadores demonstraram que o sinal clínico tem valor preditivo positivo de 68,2% e valor preditivo negativo de 88,6%, indicando que a ausência de perda urinária ao exame clínico é mais útil na exclusão do diagnóstico que a sua presença na confirmação18.

Em estudo no qual se correlacionou o valor da queixa clínica com o exame físico no diagnóstico da incontinência urinária, observou-se que o sinal clínico de perda urinária ao esforço estava presente em 43,8% do total de mulheres, sendo que 82% tinham o componente de esforço ao estudo urodinâmico. O mesmo, no entanto, estava ausente em 56,2% dos casos, sendo que o componente de esforço foi observado em 46,9% destas pacientes. Os valores preditivos positivo e negativo do sinal clínico para o diagnóstico de IUE, neste grupo, foram de 82 e 53,1%, respectivamente12. Conclui-se, portanto, que a literatura não é unânime na utilização do sinal clínico da perda urinária como único método para diagnóstico da incontinência urinária.

A presença de hiperatividade do detrusor associada à IUE é importante fator de risco na predição do sucesso terapêutico e deve ser avaliada a possibilidade de tratamento clínico antes de cirurgia. Alterações na micção, como a hipocontratilidade do detrusor ou mesmo obstruções infravesicais, também são importantes achados, uma vez que estas mulheres têm risco aumentado para retenção urinária no pós-operatório.

Em ampla revisão sobre o tema, conclui-se que a avaliação urodinâmica deve ser realizada especialmente quando a cirurgia é opção ao tratamento. Segundo os autores, apenas quando a terapia não cirúrgica é contemplada (comportamental, farmacológica ou fisioterapia), o exame urodinâmico pode ser dispensável19.

O exame clínico da paciente com hipótese de bexiga hiperativa deve ser feito em posição ginecológica, preferencialmente com a bexiga cheia. A paciente deve ser solicitada a tossir e/ou realizar manobra de Valsalva. Quando há hiperatividade vesical, se houver perda, esta é assincrônica ao esforço.

A integridade dos reflexos bulbocavernoso e anocutâneo deve ser investigada, para avaliação de possível comprometimento neurológico. Quando normais, indicam que o arco reflexo sacral (S2, S3, S4) e o componente motor do nervo pudendo estão preservados. Do ponto de vista prático, estes reflexos em conjunto com o tônus do esfíncter anal indicam que não há comprometimento neurológico do segmento sacral. Entretanto, vale ressaltar que a falta de resposta não indica necessariamente anormalidade neurológica.

 

Questionários de Qualidade de Vida

Pacientes que têm perda urinária desenvolvem modificações comportamentais para se adaptar à inconveniência e reduzir o impacto dos sintomas. Incluem-se entre aqueles: aumento da freqüência urinária, descoberta da localização de banheiros, dietas restritivas, limitação da atividade física e, nos casos mais graves, limitação das atividades sociais. Isto pode resultar em isolamento secundário, não permitindo a visitação de lugares de encontro, como centros de compra, igrejas e reuniões familiares20.

Forma-se um ciclo vicioso de ansiedade e sofrimento relacionado à possível perda urinária. Junte-se a isto o sentimento de vergonha e gradativa piora da urgência miccional pela angústia internalizada que freqüentemente leva a importante incômodo psicológico e variado grau de isolamento social20.

Instrumentos de aferição da qualidade de vida são comumente utilizados na avaliação de doenças ou de tratamentos para a determinação da percepção individual física, psicológica e bem-estar social. Em situações nas quais o objetivo principal não é o prolongamento da vida e métodos específicos de resposta ao tratamento são falhos, a medida do impacto na qualidade de vida destes pacientes é imperativa. Por esse motivo, a Sociedade Internacional de Continência recomenda que tais avaliações sejam incluídas, em todos os estudos, como complemento das medidas clínicas21.

A medida objetiva mais utilizada em estudos clínicos de incontinência urinária avalia a quantidade e freqüência da perda de urina por diários miccionais, teste do absorvente ou parâmetros urodinâmicos. Tais observações podem refletir a gravidade da perda, contudo não exprimem as alterações nas atividades diárias.

A aplicação de questionários em mulheres incontinentes é bem aceita, uma vez que o impacto sobre os fatores individuais pode ser avaliado. Para que sejam eficientes, estes instrumentos devem ser simples, ter relevância e ser de fácil compreensão. Sua interpretação é influenciada pela cultura e suas determinações deveriam ser sempre pré-testadas em população específica antes de seu uso em estudos clínicos22. De forma semelhante, a tradução e adaptação cultural devem ser enfocadas.

Dentre os questionários disponíveis, existem os que enfocam condições genéricas e específicas23. Os questionários genéricos fornecem dados sobre o perfil individual, abrangendo conceitos de saúde geral e avaliando aspectos no campo físico, psicológico e social. Podem ser aplicados em diferentes populações, a despeito da enfermidade, tratamento proposto ou faixa etária. Tais medidas permitem comparações entre os grupos estudados, contudo não são tão sensíveis na detecção de pequenas diferenças proporcionadas pelo tratamento. The Medical Outcomes Study 36-item Short Form Health Survey (SF-36) é largamente utilizado na prática clínica, tendo sido traduzido para o português24. É multidimensional, sendo constituído por 36 itens reunidos em componentes físico e mental. Todavia, não contempla alguns aspectos como a função sexual e o sono, que são pertinentes para mulheres incontinentes.

Já os questionários específicos são desenhados para avaliar com maior complexidade e eficácia o impacto de certos aspectos clínicos e cirúrgicos. Portanto, refletem melhor a mudança na resposta ao tratamento22.

Entre os questionários específicos, o King's Health Questionnaire (KHQ)25 é instrumento confiável e válido para aplicação em mulheres incontinentes. É constituído por oito domínios: percepção geral de saúde, impacto da incontinência urinária, limitações de atividades diárias, limitações físicas, limitações sociais, relacionamento pessoal, emoções e sono/disposição. Os valores variam de 0 a 100 e quanto maior a pontuação, pior é a qualidade de vida referente àquele critério. Temos utilizado o King's Health Questionnaire, já traduzido e validado para a língua portuguesa, para determinação da qualidade de vida de nossas pacientes26.

Em estudo das conseqüências da bexiga hiperativa em 933 pacientes, os pesquisadores observaram que, comparada com a urgeincontinência, os sintomas da bexiga hiperativa similarmente reduziram a qualidade de vida. As pacientes com sintomas de hiperatividade vesical tiveram limitação especial com relação à sua mobilidade, enquanto a urgeincontinência relacionou-se de forma mais significativa com os sentimentos de constrangimento e vergonha27.

Outros autores também avaliaram o impacto da incontinência urinária pelos questionários em estudo do tipo caso-controle com 1062 mulheres incontinentes e 1143 pacientes do grupo controle. Na avaliação da qualidade de vida, observaram significativa deterioração destes parâmetros, sendo a percepção da saúde mental e física os critérios que tiveram as mais significativas alterações à medida que os sintomas pioravam28.

Desta forma, existe crescente preocupação não somente na determinação da ocorrência de incontinência, mas também no fato de quanto este problema pode interferir no estilo de vida subjetivo de cada paciente, sendo que os questionários podem auxiliar nesta tarefa.

Na Tabela 2 estão exemplificados os principais questionários de qualidade de vida específicos para a incontinência urinária26,29-33.

 

 

Diagnóstico Urodinâmico

O objetivo da avaliação urodinâmica é identificar as causas específicas dos sintomas das pacientes, seja o problema incontinência urinária, disfunção miccional ou sintomas irritativos do trato urinário, além de fornecer dados para orientar o correto tratamento, seja ele cirúrgico ou não. Deve-se lembrar que a avaliação urodinâmica está sujeita a artefatos, durante sua realização, que podem gerar erros de interpretação e até mesmo de diagnóstico, se o examinador não estiver atento e cuidadoso. O diagnóstico final é o resultado de contínua interação entre a paciente e o examinador, sendo de importância fundamental a interpretação dos dados e a separação de informações relativas a artefatos34.

Embora o estudo urodinâmico seja considerado o melhor método diagnóstico para avaliação da função do trato urinário, alguns autores acreditam que o mesmo não é rotineiramente necessário e preferem conduzir suas pacientes baseando-se em sintomas clínicos16. Sua utilização rotineira ainda permanece controversa. Alguns guias de conduta não o recomendam se a opção inicial de tratamento é a terapia conservadora35.

Em revisão sistemática da literatura seguida de meta-análise, foram encontrados 38 estudos potenciais para utilização do exame urodinâmico na avaliação da incontinência urinária36. Contudo, deste total apenas dois estudos foram considerados elegíveis. Na maioria se comparavam diferentes enfoques do exame, bem como havia ausência de resultados clínicos. Os autores concluíram que o número de participantes era demasiado pequeno para se afirmar se a alocação de pacientes no grupo que se submeteu ao estudo urodinâmico era significativa no resultado final após tratamento.

Para a incontinência urinária de esforço, o diagnóstico da sua classificação é essencial, uma vez que a mesma pode ser decorrente de deficiência esfincteriana ou de hipermobilidade do colo vesical. Sua diferenciação é prioritária antes de se propor tratamento cirúrgico, visto que os procedimentos de colpo-suspensão retropúbicos tradicionais podem ter índices de falha de até 35% em pacientes com defeito esfincteriano uretral37. Não há, até o momento, padronização universal do diagnóstico1.

O termo "deficiência esfincteriana uretral intrínseca" refere-se a subtipo de IUE causada pela inabilidade do mecanismo esfincteriano uretral em manter a coaptação da mucosa tanto no repouso quanto ao esforço físico. Difere da hipermobilidade do colo vesical por fatores de risco diferentes, maior gravidade dos sintomas e pior resposta ao tratamento. Em geral associa-se a fatores de risco como a idade avançada, mielopatia congênita ou adquirida, hipoestrogenismo, cirurgias pélvicas radicais, radioterapia e cirurgias prévias para correção da incontinência urinária e/ou distopias genitais38. Do ponto de vista clínico, relaciona-se com perdas aos mínimos esforços, gravitacional ou com a mudança de posição39,40.

A função esfincteriana uretral é constituída por componente ativo e outro passivo. O mecanismo passivo tem como função a manutenção da pressão de fechamento e a coaptação da mucosa em repouso. Já o mecanismo ativo mantém o tônus uretral constante e contraído durante o esforço41.

Alguns autores têm demonstrado que a pressão de perda urinária durante a manobra de Valsalva (Valsalva leak point pressure - VLPP) é método confiável para avaliação do mecanismo esfincteriano uretral. A medida da VLPP é definida como sendo a menor pressão vesical, medida com volume conhecido, na qual se observa a perda de urina, durante aumentos da pressão abdominal42. Pacientes com IUE e VLPP inferior a 60 cmH2O provavelmente terão como etiologia a deficiência esfincteriana uretral intrínseca43. Pressões de perda superior a 90 cmH2O, em geral, não se relacionam com defeito esfincteriano43.

Desde a sua introdução, a determinação da pressão de perda (VLPP) tem-se mostrado clinicamente útil na avaliação do mecanismo esfincteriano e tem sido largamente utilizada como método diagnóstico44. No setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM), temos padronizado a realização do teste com volume de 200 mL de soro fisiológico intravesical, sendo que a paciente é solicitada a realizar, por três vezes, manobra de Valsalva gradualmente até que se observe a perda de urina, sendo medida, então, a menor pressão que causa a perda. Nos casos em que não há perda urinária descrevemos a máxima pressão atingida pela paciente. A cada 100 mL infundidos solicitamos a paciente tossir, observando a perda ou não de urina ao esforço. Alguns estudos mostraram que a medida da VLPP é reprodutível desde que o método de medida e volume vesical sejam constantes, tendo sido relatada reprodutibilidade do teste em 80% de mulheres com IUE45.

Outra forma de avaliação do esfíncter é feita pelo perfil pressórico uretral, obtendo-se parâmetros como a pressão máxima de fechamento uretral, comprimento funcional da uretra e pressão de transmissão abdominal à uretra. Desta forma, a pressão máxima de fechamento uretral avaliaria o mecanismo passivo. Já a pressão de perda mediria a capacidade do mecanismo ativo sob esforço46.

Avaliando 161 pacientes com o componente de esforço ao estudo urodinâmico, encontrou-se baixo coeficiente de correlação (0,22) entre a medida da VLPP e da pressão máxima de fechamento uretral. Da mesma forma, observou-se fraca correlação clínica, uma vez que apenas 5% da variabilidade da pressão de perda foi dada pela variação da pressão máxima de fechamento uretral47. O baixo significado clínico pode ser atribuído ao fato de que os dois parâmetros de pressão são provavelmente avaliações de diferentes aspectos do mecanismo esfincteriano uretral.

Quanto à correlação clínica entre a gravidade dos sintomas, demonstrou-se forte associação com a medida da VLPP48. Três quartos das mulheres com sintomas importantes têm pressão de perda inferior a 90 cmH2O. Da mesma forma, a pressão de perda abaixo de 65 cmH2O relacionou-se com grau acentuado de incontinência urinária em 77% das pacientes49. Observou-se também significativa relação entre o número de pacientes com VLPP inferior a 60 cmH2O e a queixa clínica, denotando a interação desta com a gravidade da incontinência. Da mesma forma, os valores médios da pressão de perda foram significativamente menores no grupo com perda aos mínimos esforços quando comparado ao grupo com perda aos grandes esforços50.

A maioria dos autores utiliza cateter eletrônico do tipo microtip para avaliação do perfil pressórico uretral, mais sensível que os cateteres de fluxo, embora seu uso seja limitado pelos custos e pelos artefatos. Valores da pressão uretral inferiores a 20 cmH2O têm sido associados a alto risco de falhas (18-54%) em cirurgias de colpofixação retropúbica51.

Usando dados já publicados, o valor preditivo positivo da pressão máxima de fechamento uretral na predição do sucesso de procedimentos de colpofixação retropúbica variou entre 82-93%, enquanto o valor preditivo negativo foi baixo, variando entre 4-53%52.

No setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da UNIFESP/EPM, até bem pouco tempo, utilizávamos o perfil uretral com cateter de fluxo, sendo que valores inferiores a 45 cmH2O na pressão máxima de fechamento uretral eram sugestivos de provável defeito esfincteriano. Contudo, não observamos interação entre o número de pacientes com valores da pressão máxima de fechamento uretral inferiores a 45 cmH2O e a queixa clínica. Da mesma forma, não houve correlação entre os valores médios da pressão máxima de fechamento uretral nos diferentes grupos de mulheres com incontinência urinária e a queixa de perda aos esforços50. Com base nestes dados, não temos mais utilizado, de forma rotineira, o perfil uretral na prática diária.

 

Outros Testes

O exame de urina, tanto pela análise do sedimento quanto a urocultura, é considerado obrigatório em todas as pacientes com queixas uroginecológicas. Tal exame se faz necessário, uma vez que infecções urinárias podem ser causa dos sintomas e, com grande probabilidade, haverá manipulação instrumental do trato urinário.

O teste do absorvente ou padtest é forma objetiva de avaliar a incontinência urinária, sendo particularmente útil na documentação e quantificação da perda urinária, além de ser auxiliar na monitorização dos efeitos do tratamento53. É especialmente recomendado nos casos cuja perda não foi observada ao exame clínico nem no estudo urodinâmico. Consiste na colocação de absorvente, com seu peso previamente aferido, junto ao meato uretral externo por determinado período de tempo, durante o qual a paciente executa atividades diárias normais ou exercícios que as simulem. Após isso, o absorvente é retirado e novamente pesado. Diferenças maiores que 1 g caracterizam a perda urinária54.

A ultra-sonografia, em uroginecologia, tem como finalidade estimar o resíduo miccional, detectar tumores vesicais e distorções na parede vesical por massas pélvicas, avaliação da vascularização dos tecidos periuretrais por meio do efeito Doppler e da musculatura do assoalho pélvico, bem como avaliar a hipermobilidade e a posição do colo vesical55-57. Portanto, não faz diagnóstico da incontinência urinária seja por esforço seja por hiperatividade vesical. Considera-se hipermobilidade quando há deslocamento do colo vesical acima de 1 cm quando comparado no repouso e ao esforço58.

 

Conclusões

A avaliação inadequada e o diagnóstico incorreto da etiologia da incontinência urinária têm múltiplas conseqüências, sendo as mais sérias cirurgias inapropriadas ou mesmo desnecessárias. Igualmente estressante para a paciente é a demora pelo uso de medicamentos que não surtem os efeitos desejados. Procedimentos cirúrgicos sucessivos são vistos como tendo menores índices de sucesso, além de maior risco cirúrgico e de complicações pós-operatórias.

Outro fator importante, nos dias atuais, são os custos financeiros e humanos, além das implicações médico-legais de procedimento cirúrgico desnecessário ou mesmo incorreto. Diante de quadro de hiperatividade vesical no pós-operatório, não há como se definir se esta hiperatividade já existia antes do procedimento cirúrgico ou surgiu após o mesmo, se não foi realizada a avaliação urodinâmica prévia. Ainda mais grave, se havia indicação cirúrgica para o caso e se a mesma foi a mais adequada.

O objetivo da avaliação uroginecológica é identificar as causas específicas dos sintomas das pacientes. O diagnóstico final é o resultado da contínua interação entre a paciente e o examinador, sendo de importância fundamental a interpretação dos dados e a separação de informações relativas aos artefatos.

Baseando-se nestes dados, acreditamos que a história clínica associada ao exame físico tem grande importância no manejo da incontinência urinária. Porém, não devem ser utilizados como único método diagnóstico, principalmente quando se tem em mente a possibilidade de tratamento cirúrgico. Seu valor recai sobre o rastreamento na identificação de pacientes que requerem investigação posterior. Os testes objetivos estão disponíveis e devem ser utilizados em conjunto com os dados clínicos, permitindo um diagnóstico preciso e terapia apropriada.

 

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Autores:

Paulo Cezar Feldner JrI; Marair Gracio Ferreira SartoriII; Geraldo Rodrigues de LimaIII; Edmund Chada BaracatIII; Manoel João Batista Castello GirãoIV

Getty Images Excesso ou a falta de limpeza podem prejudicar o pH da vagina — grau de acidez que impede a aç...

Excesso ou falta de higiene íntima feminina é prejudicial à saúde



Getty Images Excesso ou a falta de limpeza podem prejudicar o pH da vagina — grau de acidez que impede a ação de bactérias — e resultar em uma série de doenças

A falta de intimidade com o próprio corpo, segundo a psiquiatra Dra. Carmita Abdo, fundadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP (Universidade de São Paulo), reflete em atitudes muitas vezes equivocadas em relação à higiene íntima.

Segundo a médica, o excesso ou a falta de limpeza podem prejudicar o pH da vagina — grau de acidez que impede a ação de bactérias — e resultar em uma série de doenças.

— Muitas mulheres consideram a região genital "suja", quando na realidade a secreção e o odor característicos fazem parte do corpo feminino e atuam como uma proteção às infecções. Inclusive esse cheiro natural costuma atrair os homens.

Pode parecer incoerente falar que em pleno século 21 a região genital feminina é pouco explorada por suas donas, mas a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), garante que ainda há muita vergonha e preconceito em ralação ao tema e que isso dificulta o progresso feminino.

— As brasileiras se preocupam tanto com a aparência física e com agradar o parceiro que esquecem a importância de cuidar de sua genitália. E esse cuidado vai muito além do banho, é preciso conhecer o próprio corpo.

A Dra. Carmita concorda com a colega e acrescenta que alterações na coloração do corrimento e no odor característico da vagina podem ser sinais de alguma doença.

— Quando o odor é mais forte, a secreção vaginal está amarelada e há coceira, dor ou ardência a mulher deve procurar o ginecologista.


A continência urinária é mantida quando existe uma boa sustentação anatômica do trato urinário, função esfincteriana normal, continuidade ...

Artigo: Incontinência Urinária no Climatério: proposta de tratamento fisioterapêutico.



A continência urinária é mantida quando existe uma boa sustentação anatômica do trato urinário, função esfincteriana normal, continuidade de superfície entre a bexiga e a uretra, pressão intra-uretral maior que a intravesical, integridade do músculo detrusor e inervação preservada da musculatura lisa da uretra e do músculo esquelético do esfíncter externo.

No entanto, no climatério, devido as alterações hormonais, ocorre uma diminuição das fibras de colágenos e musculares, além da instabilidade emocional. Predispondo assim, o surgimento da incontinência urinária, que além da desagradável perda involuntária de urina, muitas vezes acarreta diversos problemas psicossociais e de higiene, principalmente nos casos mais graves. Isto porque, as estruturas do assoalho pélvico e trato urinário inferior são hormônio-dependentes (FREITAS et al., 1997; BASTOS, 1998).

2. Incontinência Urinária

2.1 Conceito

A incontinência urinária, na mulher é definida, segundo a Sociedade Internacional de Continência ("International Continence Society"), como a perda involuntária de urina pela uretra, secundária ao aumento da pressão abdominal na ausência de contração do detrusor, e que acarreta problemas sociais à paciente. Segundo o ABC da Saúde (2003, p. 01), a incontinência urinária "é a perda involuntária de urina da bexiga em situações impróprias, devendo ser objetivamente demonstrável. "

2.2 Classificação

Existem diversos tipos de incontinência urinária, sendo estas as mais freqüentes:

a) Incontinência urinária de esforço: compreende a perda de urina após a realização de um esforço, tal como tossir, espirrar, rir, subir escada, correr, entre outros. Sendo, em geral, de causa anatômica.

b) Incontinência por urgência: este tipo compreende os casos em que quando se sente a vontade de urinar, não há tempo de chegar ao banheiro, ou ainda, quando ouvem barulho de água. Pode ser causada por corpo estranho, carcinoma de bexiga, infecção urinária e muitas vezes a causa é desconhecida.

c) Incontinência urinária por bexiga hiperreflexa: o quadro é semelhante ao da urgência, no entanto tem como característica a presença de doenças neurológicas (avc, parkinson).

d) incontinência paradoxal: é a perda de urina que ocorre em pessoas com retenção urinária (obstrução uretral, hipocontratilidade da bexiga). Esta patologia pode, ainda, ser classificada como temporária, quando decorrente de infecções urinárias e/ou ginecológicas, obstipação intestinal, medicamentos, mobilização, diabetes mal controladas, entre outras, ou como permanente, quando decorrente de avc (derrame), doença de parkinson, hipermobilidade e/ou incompetência uretral, retenção urinária (incontinência paradoxal), diminuição do tamanho da bexiga, entre outras (INCONTINÊNCIA URINÁRIA, 2003).

2.3 Incidência

É importante salientar que 45% da população feminina apresentam algum tipo de incontinência urinária, sendo destas 50% de esforço e 20% de urgência.

2.4 Fisiopatologia

Existem situações transitórias e definitivas que podem levar à incontinência urinária. Dentre as transitórias, responsáveis por cerca de 50% dos casos de incontinência urinária nas mulheres idosas, podemos citar:

Drogas - Existem vários medicamentos que interferem tanto na função vesical como na uretral. Algumas drogas contra hipertensão arterial, por exemplo, podem levar à incontinência.

Problemas mentais - Alterações mentais graves que acarretam perda do sentido de orientação podem levar à perda da consciência da plenitude vesical.

Infecção urinária - As cistites agudas são muito comuns em pacientes idosas e podem levar à urge-incontinência.

Deficiência hormonal - A função uretral relacionada à contenção urinária está intimamente relacionada à produção hormonal ovariana (estrógeno), que é também fundamental para a menstruação. Após a menopausa, a produção de estrógeno diminui, e em algumas mulheres o tecido uretral torna-se mais frágil e sujeito a lesões e infecções.

Dentre as situações definitivas que levam à incontinência, podemos citar:

Cirurgias abdominais ou pélvicas - Destacam-se a histerectomia, as falhas das cirurgias para incontinência e as cirurgias para tratamento de tumores do cólon ou do reto, dentre outras.

Acidente vascular cerebral, traumas e tumores medulares - São situações nas quais pode haver comprometimento do controle do sistema nervoso sobre a micção (CLÍNICA DE UROLOGIA, 2003).

2.5 Quadro Clínico

De maneira geral, os principais sinais e sintomas são: perda urinária aos menores ou maiores esforços; incapacidade de interromper o fluxo; incapacidade de controlar a micção; não apresentar dor; perda de urina mesmo com a bexiga praticamente vazia; gotejamento constante de urina; desejo freqüente, quase compulsório de esvaziar a bexiga em curtos intervalos; entre outros (BASTOS, 1998).

2.6 Diagnóstico

O diagnóstico deve basear-se a partir de três pontos, são estes:

a) História Clínica: deve pesquisar-se sobre a duração da patologia; a idade de inicio dos sintomas; a freqüência e o volume de urina; enurese noturna na infância; cirurgia pélvica previa; passado obstétrico; história de infecções genitais; menopausa; estrogenioterapia; prolapso genital; uso de medicamentos; história pregressa de patologias como Parkinson, Diabetes, Demência.

b) Exame Físico: avaliação especifica do aparelho geniturinário, com o objetivo de avaliar a deprivação estrogênaca, prolapso genital, cistocele, retocele, presença de urina na vagina, seqüelas cirúrgicas, rigidez, fixação, edema de uretra, refluxo bulbocavernoso do tônus do esfíncter uretral e da suscetibilidade perineal

c) Exames Complementares: sumário de urina, urocultura, uretrocistoscopia, testes urodinâmicos, urofluxometria, perfil pressórico uretral, cistometria, ultra-sonografia.

d) Testes Complementares: prova do absorvente, teste do cotonete (Q-tip), teste de Bonney, uretrocistografia em corrente (FREITAS, 1997).

2.7 Tratamento

A grande maioria das pessoas com incontinência podem ser tratadas, ter seu quadro clínico melhorado ou, ao menos, manter-se em boas condições higiênicas, confortáveis e livres de odores desagradáveis pôr uma combinação de tratamento médico, fisioterapêutico, encorajamento psicológico e dispositivos de apoio escolhidos e usados corretamente. O tratamento dependerá do tipo, da causa, do grau de incontinência e de particularidades de cada caso. Em geral, é necessária uma associação de alguns dos vários componentes descritos abaixo. É importante ter em mente que, enquanto algumas medidas são adequadas para alguns casos, são totalmente contra-indicadas em outros. Portanto é fundamental que profissionais de saúde, paciente e familiares estejam envolvidos nos cuidados e sejam totalmente esclarecidos sobre o mecanismo que está atuando naquele caso e sobre todos os recursos disponíveis.

Técnicas comportamentais: essas técnicas mostram maneiras de controlar o funcionamento da bexiga e músculos envolvidos no controle da micção.

Medicamentos: existem vários medicamentos que visam aumentar a residência da uretra, relaxar a bexiga e a uretra ou contrair a bexiga. Cada medicamento é específico para cada caso.

Cirurgia: existem mais de cem técnicas descritas de cirurgia para tratar a incontinência urinária. Hoje em dia, procura-se a técnica mais adequada para cada caso sendo fundamental o diagnóstico correto do que causa a incontinência. Na sua maioria, elas reposicionam a bexiga e a uretra corrigindo defeitos anatômicos. Outras vezes, fecham-se as fístulas existentes. A remoção de fezes impactadas se faz necessária em casos de constipação intestinal severa.

Fisioterapia: é de grande valor para o tratamento desta patologia, uma vez que melhora o estado de alerta físico e mental, a locomoção e a qualidade de vida do paciente, além de melhor, também o condicionamento dos músculos que suportam a bexiga e que impedem a perda urinária (PARAGUASSU HOME PAGE, 2003).

2.8 Proposta de Tratamento Fisioterapêutico

a) Objetivos Gerais do Tratamento:

- Aumentar a auto-estima e a qualidade de vida da paciente;

- Prevenir, reabilitar ou minimizar as disfunções do assoalho pélvico;

- Promover relaxamento da musculatura sob tensão;

- Fortalecer a musculatura enfraquecida;

- Aliviar ou eliminar a dor, se presente;

- Reeducar a musculatura do assoalho pélvico;

- Orientar a paciente para que esta possa compreender a patologia e o tratamento.

b) Conduta Fisioterapêutica:

® Exercícios de Kegel: deve-se realizar a ponte, o relógio pélvico, elevador e exercício isométrico para interrupção e controle urinário. Estes exercícios visam desenvolver a percepção proprioceptiva, além do controle e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico (KISNER, 199-).

® Cateter de Foley: este equipamento apresenta-se em diâmetros variados e após ser inserido na vagina, orienta-se para que a paciente resista à retirada do mesmo.

® Cones Vaginais: utiliza-se gradativamente cinco cones de forma e volumes iguais, mas com pesos variando entre 20 e 70 gramas, contendo um fio de nylon em seu ápice para a sua remoção; o cone é inserido na vagina com a extremidade de menor diâmetro voltada para o vestíbulo, sendo retido através da contração reflexa (cone passivo) ou voluntária (cone ativo) da musculatura do assoalho pélvico; o tratamento pode ser na fase passiva ou ativa.

® Estimulação Elétrica: estimula-se as estruturas neuromusculares do assoalho pélvico; esta estimulação do nervo pudendo tem por objetivo fortalecer as fibras musculares do elevador do ânus e da musculatura estriada peri-uretral.

® Biofeedback: utiliza-se estímulos audiovisuais, possibilitando, assim, que a paciente identifique a contração da musculatura do assoalho pélvico, sem a utilização dos músculos acessórios.

® Fortalecimento da musculatura abdominal, através de exercícios que realizem movimentos do tronco e da pelve, tais como rotação do tronco, flexão do tronco e retroversão pélvica.

® Hidroterapia: este recurso pode ser utilizado com objetivo promover um bom relaxamento, bem como favorecer a realização dos exercícios com uma postura mais adequada, equilíbrio e coordenação, melhorando, então, a ADM e a força muscular (ANAIS - GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2001).

3. CONCLUSÃO

A Incontinência urinária, perda de urina incontrolável, é mais do que apenas um problema físico para a mulher! Este pode apresentar, também, conseqüências emocionais, devido a situação desagradável causada pela perda de urina involuntária.

A perda do controle urinário é uma condição comum, experimentada por milhões de pessoas. Podendo roubar-lhes o sono, levando-as a exaustão; pode prejudicar-lhes o dia-a-dia normal, as atividades físicas e até mesmo o ato sexual. No entanto, quando tratada adequadamente, obtem-se excelentes resultados. O sucesso em seu tratamento começa com um diagnóstico preciso, seguido por um tratamento clinico ou cirúrgico adequados, acompanhamento psicológico e tratamento fisioterapêutico. Existe uma crença de que a incontinência urinária é um processo que faz parte do envelhecimento, o que dificulta, muitas vezes, o relato espontâneo por parte dos pacientes. A perda de urina não é normal em nenhuma idade, devendo sempre ser investigada e tratada corretamente.

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Clínica de Urologia. Disponível em: . Acesso em: 05 out. 2003.

Paraguassu Home Page. Disponível em: . Acesso em: 11 out. 2003.


Autor(es): Marília Carmem de Araújo C. Sampaio Acioly

O que é infecção urinária? Ela é caracterizada pela a presença de micro-organismos...

Infecção urinária: perguntas e respostas


O que é infecção urinária?
Ela é caracterizada pela a presença de micro-organismos na urina. O líquido que enche a bexiga é estéril - ou seja, livre de bactérias. Mas, quando esses bichinhos se multiplicam ao redor da uretra e conseguem se infiltrar no canal da urina até chegar à bexiga, desencadeiam uma infecção. Em 85 % dos casos, o problema é provocado pela bactéria Escherichia coli, que integra a flora intestinal.

Existem tipos diferentes?
Sim. O mais comum é a infecção na bexiga, a famosa cistite. Mas os micro-organismos também podem atacar os rins, o que é chamado de pielonefrite.

Quais são os sintomas?
Os clássicos são dor e ardor na hora de urinar. Pode haver também um aumento da frequência de idas ao banheiro, sensação de bexiga cheia, sangramento ou um simples mal-estar acompanhado de febre.

A doença é transmissível?
"Definitivamente, não", assegura Fernando Almeida. Mas é mais comum que ela dê as caras depois de relações sexuais, porque o pH da região fica alterado. Entre mulheres que variam muito de parceiro, a incidência é comprovadamente maior.

Por que esse tipo de infecção é mais frequente em mulheres?
Elas têm o canal da uretra mais curto e, por isso, é mais fácil as bactérias chegarem aonde não devem. Além disso, elas costumam ter o péssimo hábito de segurar a urina por mais tempo que os homens - um prato cheio para as bactérias se proliferarem.

Por que algumas pessoas têm o problema com mais frequência?
Isso envolve fatores hereditários e imunológicos. A atenção com a higiene é essencial, mas a infecção pode aparecer mesmo em quem toma todo o cuidado do mundo.

Por que as grávidas ficam mais sujeitas a esse tipo de infecção?
Estima-se que de 15% a 20% das gestantes terão ao menos uma vez esse tipo de infecção. Isso acontece porque, durante esse período, o aumento da circulação sanguínea na região pélvica faz a umidade vaginal aumentar, facilitando a passagem das bactérias do ânus para a uretra.

Os homens estão livres da doença?
Não é bem assim. É verdade que esse é um problema tipicamente feminino, mas a infecção também acomete a ala masculina.

Ela é mais frequente em pessoas idosas?
Sim. "A resistência diminui com a idade e, no caso das mulheres, há uma queda de hormônios que deixam a região pélvica mais sensível", diz Eduardo Zlotnik.

Existe alguma forma de prevenir?
Segundo Zlotnik, a recomendação é beber muita água para que as idas ao banheiro não fiquem muito espaçadas. "Assim você vai limpando o trato urinário", explica. Urinar depois das relações sexuais e evitar banhos de imersão também ajudam.

Por Paula Desgualdo

Uma das maiores queixas das mulheres durante a gestação é a dor na coluna. Algo  perfeitamente compreensível, já que a mulher grávid...

Como driblar as dores na coluna na gravidez


Uma das maiores queixas das mulheres durante a gestação é a dor na coluna. Algo  perfeitamente compreensível, já que a mulher grávida enfrenta uma série de transformações no corpo, principalmente grandes alterações hormonais. 

As mudanças dos níveis de hormônios deixam os ligamentos do corpo da gestante mais elásticos e com maior mobilidade, tornando as articulações mais frouxas. Por isso, as articulações frouxas e em conjunto com aumento de peso podem ocasionar dores em quadris, joelhos, tornozelos e especialmente na coluna.

Estudos indicam que quase 80% das mulheres grávidas sentem dores na coluna, sobretudo na região lombar. Para piorar, ao sentir que a barriga e as mamas crescem, a mulher grávida adota uma postura errada.

Na tentativa de amenizar o peso, muitas mães colocam a barriga para frente e o quadril para trás, acentuando a lordose normal do corpo e piorando as dores nas costas.

As futuras mamães sedentárias são as mais propensas a terem dor nas costas devido ao não fortalecimento dos músculos, flácidos e sem força para suportar peso extra.

Atividades físicas nelas!- Como já não é novidade, a melhor solução para não sofrer tanto na coluna é a mulher começar a prática de exercícios físicos antes mesmo de engravidar, embora isso nem sempre seja possível, pois muitos bebês "aparecem" sem planejamento.

A realização de exercícios durante a gravidez, não exagerando no excesso de peso, e a adoção de postura correta durante o sentar, carregar peso e dormir, previnem as dores na coluna.

Ao sentar, a mulher deve manter a coluna ereta em uma cadeira confortável, não carregar objetos pesados e dividir nas duas mãos, dobrar o joelho e, não a coluna, ao pegar algo no chão e dormir de lado com um travesseiro entre as pernas são medidas importantes na prevenção de dores na coluna.

Lembre-se: faça exercícios recomendados por um profissional qualificado e especialista em gestantes. Atividades programadas por profissionais  não capacitados podem ter efeito contrário. A hidroginástica e a caminhada são atividades recomendadas para as futuras mamães.

  Quiropraxia - Existe ainda um tratamento alternativo chamado Quiropraxia, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. Ainda pouco conhecido no Brasil, a técnica pode evitar e tratar as dores na coluna da gestante.

"As técnicas de Quiropraxia visam ajustar corretamente o posicionamento ósseo para não haver dores nem lesões e ainda proporcionar o funcionamento correto do corpo e dos órgãos ao longo das mudanças durante a gravidez", diz Luis Maestro, diretor de clinica de Quiropraxia e criador de um programa específico para gestantes – "Programa Mamãe sem Dores".

O ideal é a prevenção das dores de coluna, mas ao aparecimento de qualquer dor durante a gestação, procure seu médico e peça orientações de como proceder sem causar mais danos à sua saúde e a do bebê.

Dicas

Evite ficar em pé durante muito tempo e saltos altos. Já não basta o peso extra agora com o bebê, é inadmissível que a mamãe se equilibre em salto alto.

Se trabalhar sentada, levante a cada meia hora e faça uma caminhada. Atividade física é fundamental para deixar os músculos preparados para enfrentar a gravidez. Mas não precisa virar atleta.

Eleve as pernas sempre que se sentir muito cansada. Facilita na circulação sanguínea.

Injeção única de botox na bexiga ...

Botox é tão eficaz quanto remédio para tratar incontinência urinária em mulheres



Injeção única de botox na bexiga elimina sintomas da incontinência urinária em mulheres
Injeção única de botox na bexiga elimina sintomas da incontinência urinária em mulheres

Injeção única de botox na bexiga é tão eficaz quanto o uso de medicamentos diários no combate à incontinência urinária em mulheres. É o que sugere estudo de pesquisadores da Duke University, nos EUA.

A pesquisa revela que o tratamento alternativo foi mais eficaz em eliminar completamente os sintomas, em especial do tipo mais severo, a chamada incontinência de urgência.

A incontinência de urgência caracteriza-se pela vontade súbita e incontrolável de urinar em meio a atividades do dia a dia, afirmam os cientistas. É mais grave do que a incontinência de esforço, distúrbio em que a pessoa urina ao fazer exercício, tossir ou espirrar, por exemplo.

"A incontinência urinária é uma condição muito comum que pode reduzir seriamente a qualidade de vida de uma pessoa. A primeira linha de tratamento é muitas vezes medicamentos orais, mas estes podem ter efeitos colaterais incômodos que levam as pessoas a interromper o tratamento", afirma o autor do estudo Anthony G. Visco.

Os cientistas avaliaram cerca de 250 mulheres com incontinência urinária. Um grupo de voluntárias recebeu medicamentos anticolinérgicos por via oral e uma injeção de solução salina diariamente, por seis meses. O outro grupo recebeu, pelo mesmo período, injeções de botox na bexiga e um remédio placebo por via oral.

Os resultados mostraram que 27% das voluntárias tratadas com a injeção de botox ficaram totalmente curadas, em comparação com 13% das que receberam remédios.

Nos dois grupos, entre as pacientes que não se curaram totalmente, houve redução similar nos episódios de incontinência. Em média no início do estudo, elas urinavam involuntariamente cinco vezes ao dia, e no final, isso foi reduzido para de uma a duas vezes ao dia.

Ambos os tratamentos tiveram efeitos colaterais. As pílulas, que atuam sobre os músculos lisos que incluem as glândulas salivares, causaram secura na boca com mais frequência, e as injeções de Botox resultaram em mais infecções urinárias.

"Este estudo tem o potencial de mudar a forma como pacientes com incontinência urinária são tratados. Os pacientes precisam mais opções do que tiveram até agora. Ambos têm suas vantagens e seus efeitos colaterais, mas ter mais opções para as mulheres seria um grande avanço", conclui Visco.


Injeções de botox na bexiga são eficazes para combater a incontinência urinária em mulheres, principalmente do tipo mais severo, a cham...

Botox ajuda a tratar incontinência urinária em mulheres, diz estudo



Injeções de botox na bexiga são eficazes para combater a incontinência urinária em mulheres, principalmente do tipo mais severo, a chamada incontinência de urgência, segundo uma pesquisa da Universidade Loyola, em Chicago, nos Estados Unidos, em conjunto com o National Institutes of Health (NIH), uma rede médica do Departamento de Saúde dos EUA que inclui 27 centros e instituições clínicas.

O estudo foi publicado nesta quinta-feira (4) no periódico "New England Journal of Medicine". A incontinência de urgência caracteriza-se pela vontade súbita e incontrolável de urinar em meio a atividades do dia a dia, afirmam os cientistas. É mais grave do que a incontinência de esforço, distúrbio em que a pessoa urina ao fazer exercício, tossir ou espirrar, por exemplo.

O problema em geral é tratado com remédios à base de substâncias anticolinérgicas, que reduzem as contrações da bexiga através do controle do sistema nervoso. O tratamento com medicamentos e com botox possuem eficácia similar, mas as drogas causam mais efeitos colaterais, como prisão de ventre, boca e olhos secos, segundo a pesquisa.

Os cientistas avaliaram 241 mulheres com o problema de incontinência urinária. Um grupo de voluntárias recebeu anticolinérgicos por via oral uma injeção inócua diariamente, por seis meses. Já o outro grupo recebeu, pelo mesmo período, injeções de botox e um remédio placebo pela via oral.

O resultado foi que 27% das voluntárias tratadas com injeções de botox ficaram totalmente curadas, contra 13% das que receberam remédios. Nos dois grupos, entre as pacientes que não se curaram totalmente,  houve redução similar nos episódios de incontinência. Em média, elas urinavam involuntariamente cinco vezes ao dia, quadro que foi reduzido para de uma a duas vezes ao dia, em média.

As mulheres que receberam injeções de botox, no entanto, apresentaram 28% mais casos de infecção urinária do que as que usaram apenas o medicamento (15%).

"O resultado vai ajudar médicos a ponderar as opções de tratamento para mulheres, além de dar mais opções para recomendações baseadas nas necessidades dos pacientes", afirmou no estudo a médica Linda Brubaker, uma das autoras da pesquisa.

iNCONTINENCIA URINARIA (Foto: Arte/G1)

A pelve tem fundamental importância na proteção dos órgãos localizados na cavidade pélvica, também atua como ponto de fixação para os mú...

Anatomia da Pelve Humana


A pelve tem fundamental importância na proteção dos órgãos localizados na cavidade pélvica, também atua como ponto de fixação para os músculos do períneo e dos membros inferiores. Servindo para sustentar o tronco e promover uma área para inserção das extremidades inferiores, atuando na transferência de peso para os membros inferiores. É limitada anteriormente pela sínfise púbica ou púbis, lateralmente pelos ossos do quadril (íleo, ísquio e púbis), posteriormente pelo sacro e cóccix e inferiormente pelo diafragma da pelve, este último separando a pelve do períneo.

A pelve da mulher serve ainda para outra função vital: proteger os órgãos reprodutores e o feto em desenvolvimento!


DIFERENÇAS ESTRUTURAIS DAS PELVES FEMININA E MASCULINA

Estruturas

Masculina

Feminina

Inserções musculares

Pelve maior

Pelve menor

Abertura superior

Ângulo do arco púbico

Ângulo isquiopúbico

Ângulo subpélvico

Forame obturado

Acetábulos

Promontório sacral

Osso sacro

Curvaturas do sacro

Fossas ilíacas

Espessas e pesadas

Bem marcada

Profunda

Estreita e profunda

Forma de "coração"

Agudo (aprox. 70º)

Oval (aprox. 110º)

Estreito

Ovais

Mais lateral e próximo

Mais saliente

Mais longo e estreito

Mais acentuadas e mais estreitas e verticais

Finas e leves

Pouco marcada

Rasa

Ampla e rasa

Oval ou arredondado

Obtuso (aprox. 110º)

Triangular (aprox. 70º)

Largo

Triangulares

Mais anterior e distante

Menos saliente

Mais curto e largo

Menos acentuadas e mais largas e inclinadas

 

FORMATOS DA PELVE

1. ANDRÓIDE (pequena estreita em formato de coração + comum nos homens);
2. GINECÓIDE (arredonda + favorável ao parto, + comum nas mulheres);
3. ANTROPÓIDE (oval, estreita, profunda, forma + alongada);
4. PLATIPELÓIDE (rasa, ampla, forma + achatada).
     

VASCULARIZAÇÃO DA PELVE

A irrigação sanguínea é feita pelos ramos colaterais perineais da artéria pudenda interna. Os vasos pudendos passam imediatamente inferior e medial à espinha isquiática e posterior ao ligamento sacroespinhal
Os vasos principais são as veias ilíacas internas que drenam as veias pudendas internas, retais e ováricas superiores.


INERVAÇÃO DA PELVE

Os nervos que realizam a inervação do períneo são ramos do 2º, 3º e 4º nervos sacrais. O nervo pudendo é o principal responsável pela inervação dessa região, suprindo o músculo esfíncter externo do ânus e os músculos e pele do períneo.


LIGAMENTOS PÉLVICOS


As paredes da pelve são unidas por ligamentos densos, que conferem estabilidade funcional suficiente para que a região suporte as constantes alterações de forças as quais estão sujeitas, principalmente durante a marcha.
Os ligamentos promovem sustentação para a pelve, e podem ser divididos em cinco grupos: Ligamentos Abdominopélvicos, Sacroilíaco, Sacroisquiais, Sacrococcígeos e Púbicos. Existem também os ligamentos vertebropélvicos que limitam os movimentos exagerados da pelve. Os ligamentos sacroilíacos e vertebropélvicos afrouxam progressimente durante a gravidez e adquirem uma consistência flexível ao final da mesma, tornando os movimentos entre a pelve e a coluna lombar e das articulações sacro ilíacas mais livres. Além disso, a sínfise púbica relaxa aumentando a distância entre os ossos púbicos e facilitando a passagem do bebê pelo canal do parto. Isso se deve a influência do hormônio relaxina.

 

ANATOMIA DO ASSOALHO PÉLVICO

FÁSCIA ENDOPÉLVICA:
responsável por fixar os órgãos pélvicos às paredes da pelve, tendo também o papel de suporte das vísceras.
DIAFRAGMA PÉLVICO: consiste no músculo elevador do ânus.
DIAFRAGMA UROGENITAL: localiza-se no nível do anel himenal e fixa a uretra, vagina e corpo perineal nos ramos isquiopúbicos.
 

MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO

 

ESFÍNCTER EXTERNO DO ÂNUS

Fecha o canal anal, suporta e fixa o corpo perineal

 BULBOESPONJOSO

Suporta e fixa o corpo perineal, esfíncter da vagina ereção do clitóris

 ISQUIO CAVERNOSO

Mantém ereção do clitóris

TRANSVERSO SUPERFICIAL E PROFUNDO DO PERÍNEO

Suporta e fixa o corpo do períneo, peso das vísceras abdominais e ­ pressão intra-abdomina

ESFÍNCTER EXTERNO DA URETRA

Comprime a uretra na continência urinária e na porção uretrovaginal.

   

LEVANTADOR DO ÂNUS

PUBOCOCCÍGEO

PUBORRETAL

ÍLIOCOCCÍGEO

Ajuda a suportar as vísceras pélvicas

Resiste ao ­ pressão intra-abdominal

COCCÍGEO

ÍSQUICOCCÍGEO

Forma o diafragma pélvico (suporta as vísceras pélvicas).

 

 FUNÇÃO DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO

Essa musculatura apresenta as seguintes funções:

  • suporte dos órgãos pélvicos
  • ação esfincteriana na região vaginal e anal.
  • resistem ao aumento da pressão intra-abdominal
  • elevam o assoalho da pelve
  • atuam na defecação (auxiliando ou impedindo)
  • atuam na continência urinária
  • fixa os ramos do clitóris aos ramos inferiores do ísquio e púbis ao diafragma urogenital
  • no parto sustentam a cabeça do feto durante dilatação do colo do útero

 

Predomínio de fibras de contração lenta (Tônicas) mantém o estado de contração prolongado - Antigravitacionais

Tipo I

Fibras de contração rápida, respondem às mudanças súbitas de pressão

Tipo IIa e IIb

 

MÚSCULOS ABDOMINAIS

A Parede Abdominal é formada pelos músculos:

  • Transverso do abdômen (mais profundo);
  • Oblíquo interno e externo;
  • Reto abdominal.

 

GENITÁLIA FEMININA EXTERNA

É constituída pelas seguintes estruturas:
 

  • Monte púbico: é uma elevação gordurosa que recobre a sínfise púbica, coberta por pêlos na fase adulta.
  • Grandes lábios: são pregas proeminentes de pele, contendo um coxim adiposo bem desenvolvido, além de glândulas sebáceas. Essas pregas são homólogas ao escroto masculino e circundam a fenda pudenda na linha média, que contém os pequenos lábios e o vestíbulo. São irrigados pela artéria labial anterior e inervados pelos nervos labiais posteriores, que são ramos do nervo pudendo.
  • Pequenos lábios: são duas pregas pequenas e finas de tecido, situadas dentro da fenda pudenda, internamente aos grandes lábios e unidas ao clitóris.
  • Vestíbulo: no seu interior se encontram o hímen, o orifício vaginal, o meato uretral e as aberturas dos canais das glândulas de Skene e de Bartholin.
  • Clitóris: estrutura homóloga ao pênis, situadas imediatamente posterior à sínfise púbica. É uma estrutura extremamente sensível e ligada à excitabilidade sexual feminina. Mede cerca de 2 a 3 cm de comprimento. 


ANATOMIA FEMININA

Vagina:

  • Órgão de cópula feminina que possui musculatura elástica permitindo a passagem do feto no parto.
  • canal fibromuscular que se estende do vestíbulo perineal até o colo do útero
  • mede de 8 a 10 cm de comprimento e tem em torno de 4 cm de diâmetro
  • situa-se entre a bexiga e o reto
  • sustentada , principalmente, pelos ligamentos cervicais transversos (ligamentos cardinais ou de Mackenrodt) e pelos músculos levantadores do ânus
  • a parede vaginal anterior está em contato com a superfície posterior da bexiga
  • a parede vaginal posterior continua com a parede anterior do reto e do fundo-de-saco retouterino

Uretra:

  • Mede de 3 a 5 cm de comprimento
  • Uretra Proximal - grupos de musculatura lisa
  • Uretra 1/3 médio -músculo esquelético em forma de C (Rabdoesfíncter)
  • Uretra Distal  -musculatura periuretral
  •  

Bexiga:

  • Víscera ôca
  • Capacidade - 300 a 600 ml
  • É esvaziada de 4 a 8 vezes/dia
  • Variação: no tamanho, na forma e na espessura das paredes

Útero:

  • Tem forma de pêra invertida, de paredes espessas, formadas por fibras musculares lisas
  • Situado entre a bexiga e o reto
  • Fixado às paredes pélvicas laterais pelos ligamentos largos
  • Delimita-se inferiormente pela vagina e superiormente pelas tubas uterinas
  • Divide-se em: fundo uterino, corpo e istmo
  • Apresenta três camadas: interna ou endométrio; média ou miométrio e externa ou perimétrio
  • Sustentação feita pelos Ligamentos Redondos, Uterossacros, Largos e Cardinais ou Cervicais Transversos (Mackenrodt).

Ovários:

  • Órgão par, situado um de cada lado do útero
  • São responsáveis pela produção dos gametas femininos (óvulos)
  • Secretam estrogênio e progesterona sob a influência da hipófise anterior
  • Armazenam no seu córtex os folículos primários, sendo que a cada mês apenas um deles amadurece.

Trompas uterinas:
 

  • Fazem a comunicação da cavidade uterina com a cavidade peritoneal
  • Tem de 10 a 12 cm de comprimento, e diâmetro que varia de 2 a 4 mm na região ampular
  • Transportam os óvulos que romperem a superfície do ovário para a cavidade do útero
  • Apresentam os seguintes segmentos: infundíbulo ou extremidade fimbriada; ampola; istmo e segmento intersticial ou intramural

Reto:

  •  É o segmento inferior do intestino grosso e tem cerca de 12 cm de comprimento.
  •  A parede muscular do reto é formada por camadas de fibras longitudinais e uma camada de músculos lisos e circulantes.


 ANATOMIA MASCULINA

O sistema reprodutor masculino é formado por:

  • Testículos ou gônadas
  •  Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra.
  •  Pênis
  •  Escroto
  •  Glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, glândulas bulbouretrais.

 

• Testículos: são as gônadas masculinas.

- formação dos espermatozóides
- produção dos hormônios sexuais masculinos, sobretudo a testosterona, responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários

• Vesículas seminais:  responsáveis pela produção de um líquido, que será liberado no ducto ejaculatório que, juntamente com o líquido prostático e espermatozóides, entrarão na composição do sêmen.

• Próstata:  glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Secreta substâncias alcalinas que neutralizam a acidez da urina e  ativa os espermatozóides. É uma glândula que faz parte do sistema reprodutor do homem, secretando um líquido que se junta à secreção da vesícula seminal para formar o sêmem e auxiliar no transporte dos espermatozóides produzidos nos testículos até a sua ejaculação.
 

• Pênis: é considerado o principal órgão do aparelho sexual masculino, sendo formado por dois tipos de tecidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso (envolve e protege a uretra).

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